Ataques no Irã danificam patrimônios culturais e geram alerta da UNESCO

Amanda Rocha
Tempo: 4 min.

Ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã danificaram pelo menos quatro locais culturais e históricos, incluindo palácios e uma antiga mesquita. O caso gerou preocupação sobre o impacto da guerra em expansão em patrimônios protegidos importantes para a identidade iraniana e para a história mundial.

Irã e Líbano pediram à UNESCO que inclua mais locais em sua lista de proteção reforçada. A UNESCO confirmou danos ao Golestan Palace, um palácio luxuoso da era Qajar localizado em Teerã. Também houve estragos no Chehel Sotoun, do século XVII, e na Masjed-e Jāme, a mesquita de oração de sexta-feira mais antiga do país, ambos na cidade de Isfahan.

Danos foram confirmados em construções próximas ao Khorramabad Valley, área que reúne cinco cavernas pré-históricas e um abrigo rochoso com evidências de presença humana que remontam a cerca de 63 mil anos antes de Cristo. Imagens gravadas pela Associated Press em 3 de março mostram que, no Palácio Golestan, vidros quebrados dos tetos espelhados cobriram o chão.

A UNESCO afirmou que havia fornecido previamente a todas as partes envolvidas no conflito as coordenadas geográficas dos patrimônios culturais, para que tomassem “todas as precauções possíveis” e evitassem danos. O impacto em locais históricos não se limita ao Irã. A agência também monitora danos em outros pontos do Oriente Médio, como a White City, em Israel, e em Tyre, no Líbano.

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A destruição de patrimônios culturais tem sido recorrente em guerras nas últimas décadas, incluindo conflitos entre Rússia e Ucrânia e entre Israel e o grupo Hamas, nos quais dezenas de locais foram danificados ou destruídos. Segundo o porta-voz da ONU, Stephane Dujarric, os conflitos modernos têm provocado impactos amplos sobre civis e patrimônio cultural.

““É claro para todos: nesses conflitos cada vez mais modernos, são os civis que pagam o preço, é a infraestrutura civil que paga o preço, e todos vimos a destruição de patrimônios históricos inestimáveis”, disse.”

Defensores de direitos humanos alertam que a guerra no Irã não apenas deixou mais de mil mortos, mas também abalou instituições e lugares históricos importantes para as comunidades. Segundo Bonnie Docherty, pesquisadora da divisão de armas da Human Rights Watch, a destruição desses locais afeta diretamente a população.

““Isso causa danos aos civis porque destrói ou danifica uma parte da história deles, que pode ser significativa tanto para o mundo quanto para uma comunidade específica”, afirmou.”

O analista político Arash Azizi, que cresceu no Irã, destacou a importância do contexto cultural. “Quando crianças são mortas e vidas humanas estão em risco, algumas pessoas podem pensar: ‘o que importa alguns azulejos ou vidros quebrados?’”, disse.

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Shabnam Emdadi, uma iraniana-americana, compartilhou seu sentimento pessoal em relação aos danos ao Palácio Chehel Sotoun. “As viagens ao Irã com meu pai são minhas lembranças mais queridas”, afirmou.

Ainda não está claro se os danos foram causados por ataques dos Estados Unidos ou de Israel. O Pentágono não comentou o assunto, e as Forças de Defesa de Israel disseram não ter conhecimento das alegações.

Os locais afetados fazem parte de cerca de 30 patrimônios iranianos listados pela UNESCO como áreas de proteção especial dentro do programa de Patrimônio Mundial. O governo do ex-presidente Donald Trump anunciou que os Estados Unidos voltarão a se retirar da UNESCO, como parte do distanciamento do país de algumas organizações internacionais.

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