Os novos regulamentos de motor e chassi da Fórmula 1 para a temporada de 2026 geraram divisões entre os pilotos, que afirmam que as mudanças tiraram parte da ousadia do esporte. As equipes ainda lidam com a maior reformulação de regras em décadas, que impactou a corrida de abertura da temporada, realizada no último fim de semana no Grande Prêmio da Austrália.
A corrida gerou reações mistas entre fãs e pilotos. Enquanto alguns elogiaram o aumento nas ultrapassagens proporcionado pelos novos modos “Overtake” e “Boost”, outros compararam a ação na pista ao videogame Mario Kart. A nova temporada traz uma maior ênfase na estratégia de uso e regeneração de energia, com mais potência sendo gerada pela eletricidade em comparação aos motores do ano anterior.
Essa mudança levou pilotos a, em alguns momentos, aliviar o acelerador em retas de alta velocidade e entrar em curvas “embalados”, ao invés de frear forte, para garantir carga suficiente na bateria para uso em outros trechos da pista. “Antes lutávamos pela nossa vida”, disse o bicampeão mundial Fernando Alonso em entrevista coletiva. Ele citou a rápida e longa curva 8 do circuito de Xangai como um exemplo de desafio. “Estávamos desafiando os limites da física ao passar por essas curvas, e o piloto precisava usar todas as habilidades e também ser corajoso em alguns momentos”, acrescentou.
O piloto da Ferrari, Charles Leclerc, comentou sobre a disputa com George Russell, da Mercedes, no início da corrida do último fim de semana, que foi vencida pelo britânico. Leclerc concordou que os novos regulamentos mudaram o que dá vantagem aos pilotos na pista. “É um pouco mais estratégico do que costumava ser no passado, quando as disputas eram mais sobre quem freava mais tarde”, afirmou o piloto monegasco, que já venceu oito corridas na categoria.
Leclerc destacou que, atualmente, os pilotos precisam considerar as consequências de suas ações. “No passado, você podia assumir bastante risco e fazer uma ultrapassagem funcionar. Agora é sempre: ‘Se eu fizer essa ação agora, o que vai acontecer na próxima reta, ou duas retas depois?’”.
Por outro lado, Oscar Piastri, da McLaren, e Carlos Sainz, da Williams, demonstraram menos entusiasmo com as mudanças. Piastri comentou que as novas regras representam um desafio diferente. “Não é tão simples quanto ver quem é o mais corajoso e quem está disposto a carregar mais velocidade”, disse o australiano, referindo-se à volta que lhe garantiu o quinto lugar no grid para a corrida em casa.
Sainz também expressou sua insatisfação, afirmando que os regulamentos de 2026 precisam ser repensados para melhorar a experiência dos pilotos. “Não gosto de ver a velocidade máxima diminuir no meio de uma reta… Não gosto de ter que aliviar e deixar o carro rolar no meio de uma volta de classificação e não gosto, digamos, das corridas que vimos em Melbourne… isso não é uma ultrapassagem real de Fórmula 1”, declarou o espanhol.


