A Justiça de Roraima decidiu, nesta quinta-feira (12), manter a prisão preventiva do empresário Gabriel Fialho de Melo, de 29 anos, e converter a prisão da esposa dele, Tamyris da Silva Liberato dos Santos, de 30 anos, em domiciliar. O casal foi alvo de uma operação da Polícia Civil na quarta-feira (11), suspeitos de utilizar churrascarias em Boa Vista para lavar dinheiro proveniente do tráfico de drogas.
As decisões foram proferidas pelo juiz Alexandre Magno Magalhães Vieira, do Núcleo de Plantão Judicial e Audiências de Custódia (Nupac). Durante a audiência de Gabriel, o magistrado homologou a prisão e determinou o encaminhamento dele ao sistema prisional, além de solicitar que a unidade prisional fosse avisada sobre a necessidade de acesso a remédios controlados devido a problemas de saúde.
Na audiência de Tamyris, a defesa solicitou a concessão da prisão domiciliar, argumentando que ela possui um filho de 9 anos diagnosticado com autismo. O juiz acatou o pedido, afirmando:
“”Com efeito, verifica-se in casu que a ora custodiada possui um filho menor, criança de 09 (anos) autista, conforme documentos acostados nos autos […], razão pela qual entende o Juízo que ela faz jus à PRISÃO DOMICILIAR”.”
Para cumprir a prisão domiciliar, Tamyris não poderá se ausentar de casa sem autorização judicial, deverá comparecer à Justiça sempre que intimada e está proibida de mudar de endereço sem comunicação prévia.
A operação da Polícia Civil resultou na prisão de Gabriel, Tamyris e da mãe dela, Roseli da Silva Santos, de 49 anos, que foram detidos durante a investigação de um esquema de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. Um irmão de Gabriel, também investigado, está foragido.
As investigações da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) indicam que o grupo utilizava empresas de fachada, como churrascarias e exportadoras de alimentos em Boa Vista, para movimentar recursos do crime e dar aparência legal ao dinheiro do tráfico. A Justiça determinou o bloqueio de até R$ 77 milhões em contas bancárias ligadas aos investigados.
Durante a operação, foram apreendidas joias, bolsas de marcas de alto valor, veículos, documentos, telefones celulares e mais de R$ 30 mil em dinheiro. Também foram encontradas cédulas estrangeiras da Bolívia, Colômbia, Guiana e Venezuela, reforçando a suspeita de movimentação financeira ligada ao tráfico internacional de drogas.
Gabriel e Tamyris já tinham mandados de prisão preventiva por tráfico. Roseli, embora não fosse alvo da investigação sobre tráfico, foi presa por estar com medicamentos associados a tratamentos médicos, que a polícia suspeita terem entrado ilegalmente no Brasil pelo Paraguai. Por isso, Gabriel, Tamyris e Roseli também foram autuados em flagrante por crime contra a saúde pública.
A ação desta quarta-feira foi resultado de uma investigação que começou em novembro de 2024, quando foram apreendidos 270 Kg de skunk, a “supermaconha”, escondida em meio a sacos de esterco de boi para disfarçar o cheiro.


