O ministro do Supremo Tribunal Federal, Cristiano Zanin, negou um pedido para obrigar a Câmara dos Deputados a instalar uma CPI do Banco Master. A decisão foi tomada em 12 de março de 2026.
Zanin entendeu que o processo não apresentou elementos suficientes para comprovar a omissão do presidente da Câmara, Hugo Motta, do Republicanos, em relação ao pedido de criação da CPI. O deputado Rodrigo Rollemberg, do PSB, acionou o STF após não receber resposta da presidência da Câmara por mais de 30 dias.
O pedido foi protocolado em 2 de fevereiro e contou com mais de 200 assinaturas. Na decisão, o ministro afirmou que não é possível concluir pela existência de “resistência pessoal” da autoridade, especialmente considerando o curto período desde a formulação do requerimento.
Zanin ressaltou que sua decisão não impede a Câmara dos Deputados de instaurar a CPI paralelamente às investigações que tramitam no Supremo, sob a relatoria do ministro André Mendonça, desde que atendidos os requisitos necessários.
O ministro foi sorteado para decidir sobre essa ação após o ministro Dias Toffoli se declarar impedido por motivo pessoal. Toffoli havia deixado a relatoria do caso Master ao admitir ser sócio de uma empresa que vendeu participação em um resort para fundos ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro.
André Mendonça assumiu a relatoria e autorizou a terceira fase da Operação Compliance Zero, que resultou em quatro prisões preventivas, incluindo a de Vorcaro. Essa decisão será analisada na sessão do plenário virtual da Segunda Turma do Supremo, que ocorre entre 13 e 20 de março.
A turma é composta por cinco ministros: André Mendonça, Gilmar Mendes, Kassio Nunes Marques, Luiz Fux e Dias Toffoli. Toffoli declarou novamente sua suspeição por motivo de foro íntimo, o que significa que o julgamento será decidido pelos outros quatro ministros.
O julgamento ocorre em meio a pressões políticas sobre a Corte. Segundo informações, políticos do centrão estão mobilizados para tentar a libertação de Vorcaro, temendo que o avanço das investigações o leve a optar por uma delação premiada.
Em casos criminais, um eventual empate no julgamento beneficia os investigados, o que poderia resultar na soltura de Vorcaro e de seu cunhado, Fabiano Zettel, ou na redução de suas restrições, como o uso de tornozeleira eletrônica.

