A Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Decreto Legislativo (PDL) 170/25, que suspende os efeitos do Edital de Chamamento Público 2/25 do Conselho Nacional de Políticas sobre Drogas (Conad). O edital estabelece as regras para a escolha de representantes da sociedade civil no conselho para o biênio 2025-2027.
O colegiado aprovou o parecer do relator, deputado Allan Garcês (PP-MA), que é favorável à proposta do deputado Ismael (PSD-SC). Garcês argumentou que o Ministério da Justiça e Segurança Pública ultrapassou seu poder regulamentar ao definir regras que, segundo ele, contrariam a legislação vigente.
Em seu parecer, o relator criticou o edital, afirmando que ele “não ajuda no fomento de políticas sobre drogas em nosso país” e apontou riscos na flexibilização das exigências para as entidades participantes. “Possibilita a participação de organizações que não cumprem os pré-requisitos técnicos mínimos de adesão e discussão de políticas públicas no combate ao vício em drogas”, declarou Allan Garcês.
O deputado também indicou que há um direcionamento ideológico nas regras estabelecidas pelo Executivo. “Na prática, o edital tem o propósito de reduzir o atendimento a adolescentes e eliminar qualquer ação de acolhimento que inclua práticas religiosas e espirituais entre suas estratégias”, afirmou o relator.
O relatório aprovado lista pontos específicos onde o edital desrespeitaria a legislação. Em relação ao Pacto Federativo, o edital prevê que, em caso de empate, será eleita a organização com sede nas regiões Norte, Nordeste ou Centro-Oeste. Para Garcês, “esse critério de desempate regional viola o Pacto Federativo”.
Sobre a transparência, o texto critica a falta de publicidade dos documentos das entidades habilitadas, afirmando que isso “afronta gravemente a Lei de Acesso à Informação e o princípio da publicidade”. O parlamentar concluiu que o Ministério da Justiça “exorbitou a sua competência regulamentar por impor medidas restritivas à própria liberdade dos cidadãos”.
O Edital 2/25 foi lançado pela Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad) para preencher 10 vagas no conselho, estipulando critérios de diversidade de gênero e raça para a composição das cadeiras, além de permitir a inscrição de movimentos sociais sem personalidade jurídica constituída, pontos que foram contestados pelo projeto de decreto legislativo.
A proposta agora segue para análise da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, estando sujeita à apreciação do Plenário.

