O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, e líderes da União Europeia criticaram a decisão dos Estados Unidos de relaxar suas sanções contra o petróleo da Rússia nesta sexta-feira, 13 de março de 2026.
Os Estados Unidos autorizaram temporariamente a venda de petróleo russo que estava parado em navios no mar, em uma tentativa de aumentar a oferta global de energia e aliviar a alta dos preços após a guerra contra o Irã. A licença, emitida pelo Departamento do Tesouro na quinta-feira, 12 de março, permite a comercialização até 11 de abril de cargas de petróleo bruto e derivados russos que tenham sido embarcadas em navios antes das 00h01 do dia 12 de março.
A medida libera para o mercado cerca de 100 milhões de barris de petróleo russo, segundo afirmou nesta sexta-feira Kirill Dmitriev, enviado do Kremlin para assuntos econômicos. Esse volume corresponde a aproximadamente um dia da demanda mundial por petróleo, estimada em torno de 100 milhões de barris diários, e pode ajudar a aliviar temporariamente a pressão sobre os preços internacionais.
A decisão representa a primeira flexibilização das sanções dos EUA contra a Rússia desde o início da guerra na Ucrânia, em fevereiro de 2022, quando o governo americano e países aliados passaram a limitar as vendas de energia da Rússia para pressionar o governo de Vladimir Putin. Naquele ano, empresas americanas foram proibidas de comprar petróleo da Rússia, e a União Europeia também reduziu importações.
A Rússia é um dos maiores produtores de petróleo do mundo, respondendo por cerca de 10% da oferta global, com uma produção de aproximadamente 9 a 10 milhões de barris por dia. O anúncio ocorre em um momento de forte tensão nos mercados de energia, com o petróleo do tipo Brent ultrapassando US$ 100 por barril, o nível mais alto em quase quatro anos, devido a ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã.
O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, afirmou que a autorização temporária tem como objetivo “ampliar o alcance global da oferta existente” de petróleo, mas é uma medida limitada. Ele destacou que a decisão não deve gerar “benefício financeiro significativo” para o governo russo, já que Moscou arrecada a maior parte dos impostos sobre o petróleo no momento da extração.
O presidente Donald Trump havia indicado que poderia flexibilizar algumas restrições à energia russa para conter a disparada dos preços. A decisão também ocorre após Washington conceder uma autorização específica para que a Índia comprasse petróleo russo retido no mar, ajudando o país asiático a compensar perdas de fornecimento do Oriente Médio.
O porta-voz do governo russo, Dmitry Peskov, afirmou que o país vê a isenção das sanções como uma tentativa de Washington de estabilizar os mercados globais de energia. A Rússia se tornou alvo de sanções ocidentais desde fevereiro de 2022, quando invadiu a Ucrânia, resultando em restrições ao comércio de petróleo russo.
As medidas reduziram parte das exportações russas para países ocidentais, mas Moscou conseguiu redirecionar grande parte do petróleo para mercados asiáticos, especialmente Índia e China. A licença temporária dos Estados Unidos abre uma janela de 30 dias para que essas cargas sejam comercializadas, ampliando a oferta global em um momento de forte pressão sobre o mercado.
Além da flexibilização sobre o petróleo russo, o governo americano anunciou outras medidas, incluindo a liberação de 172 milhões de barris da reserva estratégica de petróleo dos EUA e a possibilidade de escolta naval para navios petroleiros no Golfo.

