Haitianos permanecem retidos em Viracopos após problemas de documentação

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

Imigrantes haitianos estão retidos no Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas (SP), desde a manhã de quinta-feira (12) devido a problemas de documentação. Na noite de quinta, eles dormiram em cadeiras e colchões em uma sala reservada do terminal.

Na manhã desta sexta-feira (13), o grupo ainda aguardava o início do processo de admissão no Brasil. Entre os imigrantes estão as enteadas de 8 e 15 anos de Louis Yinder, que reside em Santa Catarina. Ele chegou ao aeroporto com a expectativa de levá-las para casa.

“”Tem duas filhas da minha esposa e a irmã dela está lá também. Chegou ontem, 9h. Eu cheguei 10h. Falaram que não ia dar para liberar. A Polícia Federal está segurando eles, mas não sei porque está segurando”, comentou Louis.”

Louis afirmou que as três possuem passaporte e visto válidos. Ele relatou que as familiares receberam alimentação e estão bem, mas expressou preocupação com a falta de perspectiva de liberação. “Ontem, muita tristeza pra mim dormir no aeroporto. Fui atrás de hotel, mas não deu certo. A gente fica aqui mesmo. Dormi aqui mesmo”, disse.

A Polícia Federal confirmou que a companhia aérea responsável pelo voo fretado que trouxe os haitianos será investigada por contrabando de migrantes. O problema com o voo envolveu a identificação de vistos humanitários falsificados.

“”A medida administrativa de inadmissão foi para reembarque dos haitianos e a obrigação da companhia aérea de retornar os passageiros ao local de origem”, informou a PF.”

A aeronave chegou ao aeroporto por volta de 9h de quinta-feira (12) e, ao meio-dia, todos os passageiros estavam a bordo, mas a decolagem foi atrasada por questões operacionais. O grupo, composto por 118 haitianos, foi liberado do avião por volta de 19h.

A organização Advogados Sem Fronteiras (ASF) informou que advogados de direitos humanos que estavam no aeroporto para prestar assistência jurídica aos passageiros foram impedidos de acessá-los. A ASF destacou que entre os imigrantes há pessoas com condições médicas preexistentes e crianças com visto de reunião familiar.

“”O que esta nota documenta é a opção por uma modalidade de exercício desse controle que priva seres humanos de qualquer regime jurídico de proteção”, afirmou a ASF.”

A concessionária Aeroportos Brasil Viracopos declarou que não tem competência sobre processos de controle migratório, que são de responsabilidade do Ministério da Justiça e Segurança Pública e do Ministério das Relações Exteriores.

O Haiti enfrenta uma grave crise humanitária, marcada pela violência das gangues e instabilidade política. A ONU classifica a situação como uma das mais graves do mundo, com escassez de alimentos e medicamentos.

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