A loja Renner retirou de suas lojas físicas e digitais a camiseta com a frase em inglês ‘Regret nothing’. A decisão ocorreu nove dias após Vítor Hugo Simonin, de 18 anos, se entregar à polícia usando a peça. Ele é um dos réus no caso de estupro coletivo de uma adolescente de 17 anos em Copacabana.
Vítor Hugo se apresentou na 12ª DP (Copacabana) acompanhado de seu advogado. A frase da camiseta é associada a grupos que promovem a superioridade masculina nas redes sociais. Em nota, a Renner confirmou a retirada e afirmou que repudia ‘qualquer forma de violência ou conduta ofensiva’.
A empresa esclareceu que o processo criativo da camiseta não tem relação com o movimento red pill e que sua base conceitual foi pautada em manifestações culturais contemporâneas, como poesias e composições musicais. Apesar disso, a companhia decidiu retirar o item de seus canais digitais e lojas físicas.
A expressão ‘Regret nothing’ é ligada a grupos misóginos que propagam discursos de ódio contra mulheres. O termo ‘machosfera’, que descreve comunidades masculinas online, foi cunhado em 2009 e inclui grupos com diversas ideologias, desde a crença de que homens não têm poder institucional até visões extremas e misóginas.
Um dos ícones da machosfera é Andrew Tate, um influenciador que defende a dominação masculina e é réu por estupro, tráfico humano e exploração sexual de menores. Vítor Hugo Simonin, ao se entregar, afirmou estar de ‘cabeça erguida’, segundo seu advogado, Ângelo Máximo, que declarou que ele ‘não tem o que temer’ e que provará sua inocência.
O modelo da camiseta está esgotado nas lojas. A defesa de Simonin não se manifestou sobre a escolha da peça. O réu é filho de José Carlos Costa Simonin, ex-subsecretário estadual de Governança, que foi exonerado do cargo horas antes da entrega.
A adolescente envolvida no caso relatou que foi atraída pelo ex-namorado, menor de idade, para o apartamento de Vítor Hugo, onde estavam outros três adultos. Os maiores de idade são réus por estupro coletivo e cárcere privado, enquanto o menor responde por fatos análogos. O advogado de Vítor Hugo afirmou que ele nega participação no crime, confirmando apenas que estava no apartamento.

