Um casal do Distrito Federal denunciou ter sofrido homofobia durante o casamento de uma família na zona rural de Luziânia, em Goiás. Segundo José Dyogo Alves e Damon Felismino, o padre fez uma série de ofensas durante a celebração.
Os ataques começaram quando o casal entrou na igreja de mãos dadas e se agravaram ao longo da cerimônia. Damon relata: “Na hora da homilia, [o padre] foi falar sobre o sacramento do matrimônio. Ele disse que o que estava acontecendo hoje em dia era uma desgraça matrimonial, pois não existia matrimônio entre dois homens e duas mulheres. E o que estávamos tentando fazer era uma patifaria, uma desgraça matrimonial. Ele repetiu por duas vezes”.
Apesar das ofensas, o casal decidiu permanecer até o fim do casamento para evitar outros constrangimentos. José Dyogo expressou sua dor: “Para mim, foi um momento de choque e de profunda tristeza. Eu fiquei até o fim da cerimônia porque eu tinha que ficar, mas com muita dor e tristeza no coração”.
O casal procurou a Polícia Civil de Goiás, onde registrou um boletim de ocorrência por “injúria”. Além disso, José Dyogo e Damon também apresentaram uma denúncia contra o padre na Diocese de Luziânia. Na quarta-feira (11), o casal buscou o Ministério Público do Distrito Federal, que está apurando o caso. José Dyogo afirmou: “A gente espera que seja aberta uma investigação contra o padre e que tomem as medidas cabíveis contra isso porque é um crime”.
As primas de Damon, que estavam na cerimônia, relataram que os convidados ficaram assustados com os comentários do sacerdote. Júlia Ribeiro lembrou: “O padre que estava realizando a cerimônia repetiu algumas vezes que o casamento homoafetivo era uma desgraça matrimonial, se referindo claramente ao casal de meus primos. A igreja toda se calou por alguns instantes”. Célia Ribeiro também expressou sua decepção: “A gente saiu de lá muito chateado porque não imaginava que dentro de uma igreja, que é um lugar de acolhimento, de amor, um padre fizesse um comentário desse”.

