O Irã intensificou suas ameaças ao Oriente Médio após sofrer ataques recentes. A Guarda da Revolução Islâmica declarou que qualquer ataque à infraestrutura energética do país resultará em uma ‘resposta esmagadora’ e ameaçou incendiar o setor de petróleo e gás em toda a região.
O analista internacional Lourival Sant’Anna, durante o programa CNN Prime Time, destacou que a ameaça do Irã é considerada altamente credível por três fatores principais. O primeiro é a capacidade comprovada do país de fechar o Estreito de Ormuz, controlando a passagem de petroleiros.
Além disso, o Irã demonstrou a habilidade de atacar infraestruturas de refino de petróleo, que têm uma capacidade total de 2 milhões de barris diários. Sant’Anna também mencionou a relevância do gás produzido pelo Catar e pelos Emirados Árabes Unidos, que representa cerca de 1/5 do gás consumido no mundo.
O segundo fator é que a pressão exercida pelo Irã já está impactando os mercados internacionais. ‘Essa pressão é real, a ideia de que uma escalada aumentaria esse impacto, os temores e a pressão, isso também é real’, afirmou o analista.
O terceiro fator diz respeito à duração do conflito. Lourival explicou que os relatórios indicam que o mercado poderia suportar cerca de duas semanas de instabilidade com medidas compensatórias, como garantias de resseguro para seguradoras de petroleiros e escoltas navais. No entanto, um período mais longo de instabilidade poderia levar a um colapso econômico grave, resultando em estagflação.
Segundo Lourival, o Irã possui diversos meios para concretizar suas ameaças, incluindo milícias aliadas como os houthis do Iémen, que têm capacidade comprovada de lançar mísseis e drones. Outro meio é a disrupção do Estreito de Ormuz, onde passa um quinto do petróleo mundial, que pode ser realizada com drones ou minas marítimas.
Ele exemplificou que um drone que atinja um ponto sensível de um petroleiro pode causar um afundamento ou explosão, o que poderia fechar o Estreito de Ormuz. Relatos de militares americanos que serviram no Golfo Pérsico descrevem táticas iranianas que incluem o uso de jet skis para distribuir minas marítimas e enxames de drones que podem sobrecarregar os sistemas de defesa dos navios.


