Presidente cubano confirma diálogos com EUA para solucionar embargo

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, confirmou nesta sexta-feira (13) que funcionários do governo cubano dialogaram com os Estados Unidos em busca de soluções para o embargo imposto à ilha, considerado um bloqueio econômico pelos cubanos.

“Há fatores internacionais que facilitaram essas conversas”, afirmou Díaz-Canel, ressaltando que o principal objetivo do diálogo é “identificar quais são os problemas bilaterais que precisam de solução”. Na transmissão, Raúl Guillermo Rodríguez Castro, conhecido como “el Cangrejo” e neto de Raúl Castro, estava presente, reforçando a importância das negociações.

O presidente descreveu o processo como “muito sensível” e que está sendo tratado “com responsabilidade e muita sensibilidade”. “Expressamos nossa vontade de continuar o processo sob os princípios de igualdade, respeito aos sistemas políticos de ambos os países, à soberania e à autodeterminação”, declarou.

Sobre a situação crítica em Cuba, Díaz-Canel destacou que isso “tem a ver com o bloqueio energético” imposto pelos Estados Unidos, que é a principal causa dos problemas enfrentados pela ilha. “É uma situação para a qual nos preparávamos de antemão”, disse, lembrando que “há três meses não entra combustível no país”.

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O presidente explicou que o bloqueio energético, intensificado após uma operação militar na Venezuela que resultou na captura de Nicolás Maduro, interrompeu o envio de petróleo venezuelano a Cuba, agravando a crise energética. As conversas com Washington foram conduzidas por ele, pelo ex-presidente Raúl Castro e por alguns membros do Partido Comunista cubano, sem especificar quem participou do lado americano.

A confirmação dos diálogos ocorre após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar em várias ocasiões que Washington mantinha conversas com representantes cubanos. Díaz-Canel comentou que “o impacto é tremendo” e se manifesta de forma mais aguda na crise energética, causando angústia na população.

Ele citou os efeitos do bloqueio na produção, nas comunicações, nos serviços de saúde e educação, além do impacto no transporte. “Não se apaga nada aqui porque se queira incomodar ninguém”, afirmou, agradecendo o trabalho dos funcionários da União Elétrica, muitos dos quais trabalham mais de 40 horas sem descanso.

Em meio a críticas à gestão governamental, Díaz-Canel lamentou que algumas respostas tenham sido injuriosas à Revolução e ao governo, reiterando que, em sua avaliação, “a culpa não é do Governo, nem da Revolução — a culpa é do bloqueio energético imposto a nós”. Ele também destacou que “há dezenas de milhares de pessoas esperando por operações que não podem ser realizadas devido à falta de energia elétrica”.

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