Redes sociais e cultura da produtividade podem aumentar casos de Burnout

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

As redes sociais e a cultura da produtividade excessiva têm contribuído para o aumento dos casos de Burnout, afirmam especialistas. A discussão ocorreu no programa CNN Sinais Vitais, que foi ao ar no sábado, 13 de março de 2026, às 19h30.

O uso constante de mídias digitais, especialmente durante momentos de descanso, prejudica a qualidade do sono e eleva os níveis de estresse. Os psiquiatras Rodrigo Bressan e Gustavo Estanislau, da Universidade Federal de São Paulo e do Instituto Ame Sua Mente, explicaram como as redes sociais impactam o cotidiano.

““As pessoas tendem a ficar mais em alerta quando estão conectadas em mídias sociais. É bastante comum que as pessoas, no momento de descanso, utilizem mídias sociais para descansar. Então, elas não descansam”, disse Estanislau.”

Estanislau também destacou que o hábito de consultar redes sociais antes de dormir compromete a qualidade do sono, que é fundamental para a recuperação física e mental. Outro fator preocupante é a cultura da produtividade excessiva propagada nas redes sociais.

““Eu entro lá e vejo pessoas conquistando muitas coisas e vejo pessoas funcionando de uma forma sobre-humana, acordando às 5 horas da manhã e tomando um banho de gelo”, comentou Estanislau.”

Essa exposição constante gera a sensação de insuficiência e inadequação. “Isso vai gerando na gente a sensação de que a gente está sempre produzindo aquém do que a gente deveria produzir e se cria essa cultura em que a gente não pode descansar, não pode dormir”, completou.

O sono é considerado um elemento crucial no combate ao Burnout.

““Um dos elementos mais chaves para todas as doenças físicas, mas para o burnout, é sono”, ressaltou Bressan.”

Ele recomenda que o telefone não deve entrar no quarto para garantir um descanso adequado.

Quanto às estratégias de recuperação, os especialistas afirmam que o afastamento do trabalho pode ser necessário dependendo do estágio do Burnout. No entanto, existem medidas preventivas importantes, como um sono de 7 a 8 horas diárias, exercícios físicos regulares e uma mudança na percepção do valor pessoal para além da produtividade.

““Uma pessoa que consegue lidar com isso de uma forma um pouco mais leve, tende a não se estressar tanto, colocar uma expectativa no trabalho um pouco menor e colocar a expectativa em outros fatores da vida que podem ajudar ela a se sentir mais completa fora do trabalho também”, explicou Estanislau.”

Em casos mais avançados, a psicoterapia e a avaliação médica são recomendadas para identificar possíveis transtornos de ansiedade ou quadros depressivos associados ao Burnout.

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