No mês passado, entrou em vigor em São Paulo uma lei que garante aos moradores de prédios a prerrogativa de instalar carregadores para carros elétricos nas vagas, desde que arcam com os custos e atendam às normas técnicas.
Antes, assembleias de condomínios ou síndicos podiam vetar a instalação, mas agora isso está proibido no estado.
Apesar da nova legislação, o processo de instalação continua sendo complexo e oneroso. Para realizar a instalação, é necessário trazer cabos até a vaga, o que pode custar entre R$ 5 mil a R$ 12 mil, dependendo da distância do cabeamento.
“Se o condomínio não entrar com parte dos custos, o morador pode pagar três vezes mais no carregador do que um equivalente numa residência”, afirma Luiz Felipe Santos, gerente-geral da Revo, empresa especializada em instalação de carregadores.
Para a instalação, é preciso primeiro realizar uma análise de carga, que verifica o consumo de energia do prédio por sete dias. Essa análise, que pode custar entre R$ 3 mil e R$ 15 mil, deve ser paga pelo condomínio e é necessária para que o síndico tenha respaldo técnico para aprovar ou não a instalação.
Com a análise pronta, a instalação do carregador pode levar entre 20 e 30 dias. Santos também alerta sobre o custo adicional do chamado furo técnico, que pode dobrar o valor do serviço, caso seja necessário um engenheiro para certificar que a estrutura não será comprometida.
Alguns condomínios estão colaborando com parte dos custos da instalação, trazendo o cabeamento até um quadro, permitindo que os moradores instalem seus carregadores individualmente.
Entretanto, prédios mais antigos podem enfrentar custos elevados, que podem ultrapassar R$ 500 mil, para refazer toda a elétrica e substituir transformadores.
Empresas como a Power2Go estão desenvolvendo soluções que permitem a criação de infraestrutura sem custos iniciais para o condomínio, onde os moradores pagam pela instalação individual e manutenção do sistema.
O CEO da Power2Go, Tadeu Azevedo, ressalta que é fundamental que síndicos e assembleias compreendam que a implementação de carregadores valoriza os imóveis.
De acordo com uma projeção da consultoria Boston Consulting Group (BCG), a pedido da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), 65% das vendas de carros 0 km no Brasil serão de eletrificados até 2035.
David Monteiro, advogado especialista em direito imobiliário, destaca que os condomínios devem criar regras claras para a solicitação de instalação de carregadores, evitando exigências desproporcionais.
Raquel Bueno, gerente da Lello Condomínios, informa que muitos síndicos vetavam a instalação de carregadores por falta de normas. Com as novas diretrizes, os bombeiros de São Paulo definirão como deve ser feito o combate a incêndios em carros elétricos.
A nova lei permite que o condomínio estabeleça padrões técnicos e responsabilidades por danos relacionados ao ponto de recarga, mas não pode atribuir automaticamente a culpa ao proprietário do carro elétrico.
Em 2025, o Conselho Nacional de Comandantes-Gerais dos Corpos de Bombeiros Militares publicou diretrizes para a instalação de pontos de recarga, que devem ser seguidas para a renovação do Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB).
Se os pontos de recarga não atenderem às exigências de segurança, a renovação do AVCB pode ser negada até que a situação seja regularizada.
Raquel Bueno menciona que a tendência é que os bombeiros estabeleçam um modelo de atestado, onde o condomínio busca um engenheiro responsável para garantir a instalação, semelhante ao que já ocorre em prédios com motor gerador.


