Casarões históricos de São Luís enfrentam risco de desabamento. Um imóvel com mais de 200 anos no Centro da cidade se transformou em ruínas, aumentando o temor entre os moradores e comerciantes da região. “Esse prédio pode desabar pra cá, me prejudicar, cair em cima de tudo aqui, de carro, de tudo”, afirmou Antônio Araújo, lojista que trabalha em frente ao casarão condenado.
A situação de abandono se repete em vários pontos da cidade. Em alguns casarões, restaram apenas fachadas escoradas por madeira para evitar quedas. “Um desmoronamento com pessoas morando na casa ao lado, no prédio ao lado, é risco de vida. Compromete a nossa vida”, declarou Roseane Santos, técnica em enfermagem.
A capital maranhense possui mais de 5 mil casarões construídos entre os séculos XVIII e XIX. Desses, cerca de 1.400 fazem parte do conjunto histórico e arquitetônico reconhecido pela Unesco como Patrimônio Mundial. Segundo a Defesa Civil do Maranhão, 36 imóveis históricos sofreram desabamentos nos últimos dez anos.
Atualmente, o Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil monitoram 130 prédios antigos, dos quais 79 apresentam risco crítico. Há casarões com telhados comprometidos e infiltrações que condenaram fachadas inteiras, problema que se agrava durante o período chuvoso. “O principal risco que a gente tem são os acidentes por queda, acidentes por projeção, colapso do sistema de cobertura e os demais riscos associados, principalmente de saúde e segurança pública”, explicou o major Carlos Veiga, subdiretor da Defesa Civil estadual.
O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) informou que 90% dos imóveis antigos de São Luís pertencem a proprietários particulares. O Ministério Público Federal (MPF) move 80 ações judiciais exigindo que os donos adotem medidas de preservação dos casarões. Contudo, mesmo quando a Justiça determina a recuperação, o cumprimento das ordens é difícil. “Nós temos um conjunto bem variado de situações que impedem que esses imóveis sejam recuperados pelos particulares. Também há de se pensar a responsabilidade do poder público, não apenas quanto àqueles imóveis que são de sua propriedade, mas também no fomento a políticas de ocupação desse espaço da cidade”, afirmou Alexandre Soares, procurador-chefe do MPF no Maranhão.
Entre os obstáculos para a recuperação dos casarões estão a ausência dos proprietários no país, limitações financeiras e o rigor das normas técnicas exigidas para restauração. O governo do estado e a Prefeitura de São Luís afirmaram que mantêm programas de revitalização do patrimônio para preservar a história da cidade. Nos últimos oito anos, 29 casarões foram restaurados e reocupados.


