Um sargento da Polícia Militar do Distrito Federal foi levado à delegacia após tentar ajudar um advogado, suspeito de dopar e estuprar uma jovem de 23 anos, a fugir em Águas Claras, no Distrito Federal. O advogado, de 53 anos, foi encontrado na garagem de um prédio na região, onde tentava deixar o local com a ajuda do policial militar.
O sargento foi autuado em flagrante por favorecimento pessoal, um crime que ocorre quando alguém auxilia um investigado a escapar da ação da Justiça. Após assinar um termo circunstanciado, ele foi liberado. A Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) informou que está ciente da ocorrência e que tomará as providências administrativas necessárias para verificar os fatos. O sargento está afastado das atividades, mas a PMDF não revelou o motivo do afastamento.
De acordo com a investigação, o advogado se passava por delegado para atrair a vítima com uma falsa promessa de emprego. A jovem, que chegou a Brasília há cerca de cinco meses, contou que uma amiga indicou o contato do homem, que estava contratando. Em um áudio enviado à vítima, o suspeito descreve o que procura na candidata ao suposto emprego.
“”Eu preciso muito de uma pessoa que goste da área de estética, de joias, semijoias, roupa, salão de beleza. Em Águas Claras a mulherada consome muito. É muita coisa, muita informação… não dá para falar tudo por áudio. Como você está de tempo hoje? Tem tempo para a gente sentar, jantar, comer alguma coisa?””
Na última terça-feira (10), a jovem e o advogado se encontraram em Águas Claras, onde conversaram e lancharam. Durante a suposta entrevista de emprego, o homem afirmou ser delegado e estava armado. A jovem relatou que, ao descer da lanchonete, ele a forçou a ir até seu apartamento, onde ofereceu um refrigerante.
Após beber, a jovem começou a se sentir mal e perdeu a consciência, acordando cerca de 24 horas depois, nua, dentro do apartamento do homem. Ao conseguir sair, ela pediu ajuda a um motorista de aplicativo e foi levada à 21ª Delegacia de Polícia, em Taguatinga Sul, para registrar a ocorrência.
A Polícia Civil iniciou a investigação e identificou o suspeito, que se apresentava como policial e empresário para ganhar a confiança das vítimas. O advogado da jovem informou que levou o caso à Comissão de Ética da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Durante as buscas na casa do investigado, foram apreendidos uniformes semelhantes a fardas policiais e comprimidos que podem ter sido usados para dopar vítimas.
A jovem também relatou o caso em uma rede social e afirmou que outras mulheres entraram em contato, dizendo ter passado por situações semelhantes com o mesmo homem. A Polícia Civil investiga se outras vítimas podem ter sido afetadas pelo advogado.


