Donald Trump enfrenta desafios significativos na guerra contra o Irã, que é descrita como “vencida” mas também “ainda não acabada”. O presidente dos Estados Unidos exige a “rendição incondicional” do Irã, mas a realidade do conflito é mais complexa do que suas declarações públicas sugerem.
A “vitória” em uma guerra não se compara a um jogo esportivo, onde um placar define o vencedor. A bravata do governo dos EUA, enquanto continua seu ataque ao Irã, contrasta com a seriedade da situação. Trump declarou “nós vencemos” em Kentucky, mas a questão permanece: até onde os EUA precisam ir para que o Irã se comporte como se tivesse sofrido uma derrota?
Trump agora se encontra em uma armadilha comum em guerras modernas, acreditando que uma operação militar rápida resultará em resultados políticos duradouros. A história mostra que, independentemente da força militar inicial, os atacados têm um compromisso maior em defender suas terras. A Casa Branca pode ter se precipitado ao aproveitar uma oportunidade de ataque, fornecida pela inteligência israelense.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, tem objetivos regionais que diferem, buscando um Irã em colapso contínuo. A morte do Líder Supremo Ali Khamenei em 28 de fevereiro trouxe novos desafios, pois não havia um sucessor claro. O filho de Khamenei, Mojtaba, assumiu o poder, contradizendo os desejos de Trump.
O IRGC (Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica) busca vingança pelo assassinato de seus comandantes, complicando as perspectivas de um fim para o conflito. O Irã transformou a situação em um teste de resistência, e, apesar das perdas, continua a lutar. Os EUA podem bombardear, mas isso pode levar a maiores danos políticos e riscos de baixas americanas.
O bombardeio aéreo pode criar alianças inesperadas entre os iranianos, e a ideia de que ataques de precisão levariam a um levante popular se mostrou ilusória. Com o tempo, a eficácia do bombardeio pode diminuir, tornando-se mais letal para civis.
Os iranianos podem continuar a atacar navios no Estreito de Hormuz, mantendo os preços do petróleo elevados. Trump, ao falar sobre o fim da guerra, deixou claro que deseja encerrar o conflito. A disciplina nas mensagens é crucial, e agora o regime iraniano vê um caminho para evitar a derrota.
Embora Trump possa tentar eliminar líderes iranianos, a determinação resultante pode ser ainda mais difícil de derrotar. A guerra ainda é recente, mas a diplomacia silenciosa pode ser a solução para reduzir a violência. O regime iraniano se reestrutará, mais forte e mais brutal, ciente de que o poderio militar dos EUA não pode desalojá-los.


