Mulher relata violência psicológica em relacionamentos abusivos

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

A professora Sara Cardoso compartilhou sua experiência com violência psicológica em dois relacionamentos abusivos. Em entrevista, ela explicou que, no início, interpretava o ciúme e a possessividade como algo controlável, até que a situação se tornou insustentável.

“Eram pessoas que tinham ciúme e que alegavam que ficavam transtornadas daquela forma porque eu era uma mulher muito bonita, porque chamava atenção, ou seja, eles tentavam colocar em mim uma culpa que eu não tinha”, disse Sara.

No segundo relacionamento, a possessividade evoluiu para perseguição e controle, limitando sua liberdade. “No último relacionamento, os sinais começaram a ficar mais evidentes. Em qualquer lugar que eu estivesse, ele conseguia me achar. Quando eu ia discutir isso com ele, ele dizia que era cuidado, que era zelo, que era tentando me proteger”, relatou.

A professora também destacou o isolamento característico da violência psicológica. “A gota d’água foi quando eu me vi sozinha. Quando realmente eu olhei para um lado e para o outro e vi que eu não conversava mais com ninguém. Que eu não visitava mais a minha família e só tinha aquela pessoa que me silenciava o tempo todo”, detalhou.

A socióloga Evellyne Tamara comentou sobre a violência psicológica, afirmando que é uma forma de violência simbólica que é frequentemente invisibilizada. “Reagir é difícil, porque toda a estrutura social naturaliza isso que a gente tem como norma. Mas isso não é natural, isso é social, é construído”, explicou.

Sara também mencionou a pressão externa que contribuiu para o ciclo abusivo. “Por ser muito jovem e não ter condições financeiras de seguir a vida, a gente vai permanecendo ali achando que é a única opção que a gente tem”, afirmou. Ela destacou que as mulheres são ensinadas a detectar abusos, enquanto os homens não recebem a mesma orientação.

A violência psicológica é prevista no Código Penal a partir da Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340). É fundamental que as vítimas que enfrentam situações de controle e abuso formalizem a denúncia. Para isso, existem canais de atendimento, como: 180 – Central de Atendimento à Mulher, 190 – número emergencial da Polícia Militar, e 197 – número para denúncia da Polícia Civil.

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