As deputadas federais Jandira Feghali (PCdoB-RJ) e Any Ortiz (Cidadania-RS) comentaram, neste domingo (15), a eleição da deputada Erika Hilton (PSOL-SP) à presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados. Erika Hilton se tornou a primeira mulher trans a ocupar a presidência desta comissão, gerando debates no Congresso Nacional.
Any Ortiz afirmou que a eleição de Erika Hilton representa uma ‘derrota’ para as mulheres. ‘Eu quero aqui reforçar todo o meu respeito à comunidade trans e dizer que isso não se trata a respeito da comunidade trans, mas sim de uma luta das mulheres, de uma comissão que não pode ser negado a discussão sobre a biologia. Ser mulher é sim uma realidade biológica e isso não pode ser negado’, declarou a deputada.
Por outro lado, Jandira Feghali considerou a eleição de Erika uma ‘vitória do século XXI’. ‘Os direitos das mulheres precisam estar incorporados em todas as suas identidades. A deputada Érika é uma mulher. As mulheres não são definidas apenas pela biologia, mas pelo como elas se sentem e como elas se identificam’, afirmou.
A eleição de Erika Hilton também gerou polêmica com o apresentador Ratinho, que declarou em seu programa que a deputada ‘não é mulher’ e que sua eleição não foi justa. Ele foi acusado de transfobia por suas declarações. ‘Não achei isso justo. Tantas mulheres, por que vai dar para uma mulher trans? A Erika Hilton não é mulher, ela é trans. Não tenho nada contra trans, mas se tem outras mulheres… mulher mesmo’, disse Ratinho.
Any Ortiz questionou se Erika entende os ‘problemas e desafios’ de uma mulher biológica, mencionando as declarações de Ratinho. ‘O que o Ratinho falou foi isso, ela não é mulher, será que ela entende dos problemas e dos desafios das mulheres? Uma mulher que não nasceu mulher?’, destacou.
Jandira Feghali respondeu às críticas de Ratinho, afirmando que sua fala representa um ‘discurso do Brasil colônia’. ‘A deputada Érika é uma mulher porque assim ela se identifica. A biologia não está sendo desprezada, mas ela não é absolutizada, porque as pessoas são o que são’, expôs.
No último sábado (14), o partido Novo protocolou uma representação no Conselho de Ética da Câmara contra Erika Hilton, após a polêmica envolvendo Ratinho. O documento, assinado pelo presidente do partido, Eduardo Ribeiro, pede a abertura de um processo por quebra de decoro, que pode levar à perda de mandato da deputada.
A representação alega que Erika tem perseguido ‘quem se vale do direito fundamental de liberdade de expressão acerca da distinção entre sexo e identidade de gênero’. Após as declarações de Ratinho, Erika solicitou ao Ministério Público de São Paulo a investigação do apresentador por transfobia, argumentando que ele utilizou sua identidade de gênero para desqualificar sua atuação política.
Nas redes sociais, Ratinho afirmou que ‘crítica política não é preconceito’. Any Ortiz, por sua vez, destacou que não há ‘nada contra a comunidade trans ou a pessoa da Erika Hilton, é o espaço simbólico que ela ocupa’.
Jandira Feghali acredita que o processo do Novo ‘não terá eficácia e eficiência’. ‘Não vejo que esse processo do Conselho de Ética terá caminho de eficácia e eficiência, porque não é possível querer caçar um mandato de uma parlamentar eleita pelo voto popular porque ela representou contra um comunicador que a agrediu e foi transfóbico’, declarou.


