O embaixador do Irã na Arábia Saudita, Alireza Enayati, declarou neste domingo (15) que as relações de Teerã com os países do Golfo precisam ser “seriamente revistas” diante da guerra envolvendo Estados Unidos e Israel.
Em entrevista à agência Reuters, Enayati afirmou que, apesar da tensão provocada pelo conflito, a convivência entre os países da região é inevitável. Ele destacou que a proximidade geográfica e os interesses comuns tornam necessário repensar a forma como as relações regionais são conduzidas. “Somos vizinhos e não podemos viver sem uns aos outros; será preciso fazer uma revisão séria”, afirmou.
O embaixador também mencionou que muitas das crises que marcaram o Oriente Médio nas últimas décadas são resultado de divisões internas entre os países da região e de uma dependência excessiva de potências externas. Ele defendeu uma cooperação mais profunda entre os membros do Conselho de Cooperação do Golfo, além de Iraque e Irã.
Desde o início do conflito, em 28 de fevereiro, países árabes do Golfo registraram mais de dois mil ataques com mísseis e drones. Entre os alvos estão missões diplomáticas e bases militares americanas, além de infraestruturas estratégicas como instalações petrolíferas, portos, aeroportos e áreas urbanas. Os Emirados Árabes Unidos estão entre os países mais atingidos pelos ataques.
Apesar disso, toda a região tem sido afetada e governos do Golfo têm condenado Teerã. Analistas e fontes regionais apontam que cresce o desconforto com os Estados Unidos, tradicional parceiro de segurança desses países. Muitos governos da região consideram ter sido arrastados para um conflito que não apoiaram, mas cujas consequências econômicas e de segurança estão sendo obrigados a enfrentar.
Na Arábia Saudita, os ataques têm se concentrado principalmente na região leste, onde se encontra grande parte da produção de petróleo do país. Também foram citados incidentes próximos à Prince Sultan Air Base, que abriga tropas americanas, e na área diplomática de Riad.
Enayati negou que o Irã esteja por trás de ataques contra instalações energéticas sauditas, como a refinaria de Ras Tanura e o campo petrolífero de Shaybah. Segundo ele, Teerã não tem ligação com essas ações e afirmou que o país assumiria publicamente caso tivesse realizado tais operações. “O Irã não é responsável por esses ataques e, se tivesse realizado, teria anunciado”, declarou.
O embaixador acrescentou que mantém diálogo frequente com autoridades sauditas e que as relações bilaterais seguem avançando em diferentes áreas, como a assistência a cidadãos iranianos que estavam no país para peregrinação religiosa. Enayati também mencionou que Teerã tem mantido conversas com autoridades sauditas sobre a posição declarada de Riad de que seu território, espaço aéreo e águas não devem ser usados em ataques contra o Irã.
Para o diplomata, a guerra foi “imposta” ao Irã e ao conjunto da região. Ele defendeu que uma solução para o conflito depende da interrupção das operações militares conduzidas por Estados Unidos e Israel, além de garantir que países da região não sejam envolvidos diretamente no confronto.
““Somente então poderemos nos concentrar na construção de uma região próspera”, afirmou.”


