Wagner Moura, ator brasileiro, teve uma trajetória marcada por experiências diversas antes de alcançar a fama internacional e a indicação ao Oscar. Nascido em Salvador, sua história começa em Rodelas, no sertão da Bahia, onde viveu a infância. A cidade foi submersa após a construção de uma barragem, obrigando milhares de moradores a deixar suas casas, incluindo Wagner, que era apenas uma criança na época.
Marcelo Flores, ator e amigo de Wagner, comenta: “Ele carrega tanto esse menino do sertão, que ele brinca – e de Salvador também –, brinca da gente falar como no sertão, ‘amém nós tudo’, né, ‘venha com tudo’.” Após retornar a Salvador, a adaptação de Wagner não foi fácil. Na escola, seu comportamento reservado e repertório diferente o tornaram alvo de estranhamento, sendo apelidado de ‘OVNI’ por seus colegas.
Fábio “Barbosão”, dentista e amigo de Wagner, lembra: “Ele era muito na dele, era um cara que escolhia muito as amizades.” Apesar das dificuldades iniciais, Wagner formou amizades duradouras, especialmente com Barbosão, que o acompanha desde o primeiro dia de aula.
A vida profissional de Wagner Moura começou com incertezas, transitando entre o teatro e o jornalismo. Ele trabalhou como repórter de TV e em jornais impressos. Franciel Cruz, escritor e amigo, destaca: “E como jornalista, eu acho que tem essa função que é a escuta. O Wagner fala muito, mas ele escuta muito.” No teatro, sua força em cena foi rapidamente notada por diretores.
Fernando Guerra, diretor de teatro, afirma: “Tive que disfarçar esse choque, porque eu verifico: esse cara parece que viveu mil vidas.” Mesmo jovem, Wagner demonstrava uma maturidade emocional impressionante. Amigos e profissionais ressaltam sua intensidade e autocrítica no processo criativo, sempre buscando se aprimorar.
A música também faz parte da trajetória de Wagner Moura. Ele participou de projetos musicais e formou a banda “Sua Mãe” com amigos, onde fazem releituras de músicas populares brasileiras. Ede, amigo e guitarrista da banda, comenta: “A primeira coisa que ele fala é avisar para a galera: ‘galera, estou aqui, estou chegando, vamos nos encontrar para a gente fazer um som’.”
Apesar do sucesso internacional, Wagner mantém suas raízes e o contato com amigos, refletindo a conexão com o menino do sertão e o jovem deslocado de Salvador.


