Entidades que representam jornalistas brasileiros repudiaram as agressões e ameaças sofridas por profissionais de imprensa que trabalham diante do hospital particular onde o ex-presidente Jair Bolsonaro está internado, em Brasília.
A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal (SJPDF) divulgaram notas cobrando proteção aos profissionais.
Segundo a Abraji, alguns jornalistas passaram a receber ameaças e ofensas após uma influenciadora digital bolsonarista divulgar um vídeo em que acusa profissionais de imprensa que aparecem em imagens gravadas na porta do Hospital DF Star de desejarem a morte do ex-presidente.
““É inadmissível que parlamentares e figuras com espaço no debate público utilizem sua influência para orquestrar campanhas de difamação e incitar agressões contra profissionais de imprensa. Esse tipo de ataque não é apenas uma ameaça individual — é um ataque direto à liberdade de imprensa e à democracia”, sustenta a Abraji.”
A Abraji também informou que as agressões não se limitaram ao ambiente digital. Ao menos duas repórteres sofreram ataques presenciais ao serem reconhecidas na rua. Montagens e vídeos produzidos com o uso de inteligência artificial foram divulgados, simulando que uma das profissionais é esfaqueada, e fotos de filhos e parentes de jornalistas estão sendo usadas como instrumento de intimidação e assédio.
A Fenaj e o Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal também cobraram proteção aos trabalhadores. “Lembramos que é dever do Estado garantir a segurança dos profissionais em locais públicos e de interesse jornalístico”, destacaram as entidades.
““Pedimos às autoridades policiais e ao Ministério Público que identifiquem e punam os autores das ameaças virtuais e os responsáveis pela exposição indevida de dados dos profissionais”, cobraram a Fenaj e o sindicato.”
As entidades exigem que as empresas de jornalismo proporcionem condições para que seus empregados possam trabalhar, afastando-os do hospital caso não se sintam seguros e oferecendo apoio jurídico.
““Reafirmamos que a liberdade de imprensa é um pilar fundamental da democracia. O jornalismo é essencial para levar fatos ao conhecimento público, e não pode ser cerceado por métodos de coação física ou psicológica. Não aceitaremos a intimidação como método político”, concluem as entidades.”
A Agência Brasil não conseguiu contato com a Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal e com a Polícia Civil para saber se boletins de ocorrência foram registrados.
Bolsonaro está internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do hospital DF Star desde a manhã da última sexta-feira (13), tratando de uma broncopneumonia bacteriana bilateral de provável origem aspirativa. Segundo o boletim médico divulgado, seu quadro clínico é estável e ele teve uma melhora da função renal, mas devido a uma elevação dos marcadores inflamatórios, os médicos decidiram ampliar a dosagem de antibióticos.
Ainda não há previsão de quando ele poderá deixar a UTI e seguir para um quarto, de onde deverá voltar ao Complexo Penitenciário da Papuda, onde cumpre pena de 27 anos e 3 meses de prisão, por tentativa de golpe de Estado e outros crimes relacionados.

