O ex-presidente francês Nicolas Sarkozy deve retornar ao tribunal nesta segunda-feira, 16 de março de 2026, para enfrentar um novo julgamento por alegações de conspiração para financiar ilegalmente sua campanha de 2007 com fundos da ditadura líbia, liderada por Muamar Kadafi.
Este caso surge poucos meses após Sarkozy ser condenado a cinco anos de prisão por conspiração criminosa, tornando-se o primeiro ex-mandatário de um país da União Europeia a ser preso. Sarkozy, que tem 71 anos e governou a França entre 2007 e 2012, nega qualquer irregularidade.
O novo julgamento no Tribunal de Apelação de Paris ocorre enquanto o ex-presidente aguarda em liberdade o desfecho do recurso contra a condenação do ano anterior. Após 20 dias em uma prisão parisiense, que ele descreveu como “exaustivos” e um “pesadelo”, Sarkozy recebeu liberdade condicional em novembro e publicou um livro sobre o período encarcerado.
Durante seu tempo na prisão, ele ficou em confinamento solitário em uma cela individual de cerca de 9 metros quadrados, com chuveiro e banheiro privativos. Nas audiências do ano passado, a promotoria acusou Sarkozy de ter feito um acordo com Kadafi em 2005, quando era ministro do Interior, para obter fundos para sua candidatura à presidência em 2007, prometendo apoio ao regime líbio em troca.
Embora tenha sido considerado culpado de conspiração criminosa, Sarkozy foi absolvido de outras três acusações: corrupção, uso indevido de fundos públicos líbios e financiamento ilegal de campanha eleitoral. Neste novo julgamento, ele enfrenta todas as quatro acusações novamente, após ter recorrido de sua condenação e o Ministério Público francês ter recorrido das três absolvições anteriores.
Se condenado, Sarkozy pode pegar até 10 anos de prisão. Um total de 10 pessoas serão julgadas neste caso. Ao longo de 2025, o tribunal ouviu que, em troca do dinheiro para a campanha de Sarkozy, o regime líbio solicitou favores diplomáticos, jurídicos e comerciais, esperando que Sarkozy reabilitasse a imagem internacional de Kadafi.
O ditador líbio, que governou por 41 anos, estava isolado internacionalmente devido a violações dos direitos humanos e ligações com o terrorismo, incluindo o atentado de Lockerbie em 1988, que matou 270 pessoas. Os promotores também acusaram membros do círculo próximo de Sarkozy de se encontrarem com membros do regime de Kadafi na Líbia em 2005. Após assumir a presidência, Sarkozy convidou Kadafi para uma visita de Estado a Paris, onde montou sua tenda beduína nos jardins do Palácio do Eliseu.
Quatro anos depois, Sarkozy liderou os ataques aéreos da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) contra as tropas de Kadafi, que resultaram na derrubada de seu regime. O ditador foi capturado e morto em outubro de 2011.


