Uma pesquisa internacional investigou o cheiro deixado por múmias egípcias para entender a evolução do embalsamamento no Egito Antigo. Os cientistas analisaram os compostos presentes no ar ao redor dos corpos, identificando mudanças nas técnicas de mumificação ao longo dos séculos.
O estudo revelou que os processos mais antigos eram simples, baseados em gorduras e óleos. Com o tempo, os rituais tornaram-se mais sofisticados, incorporando ingredientes como resinas vegetais importadas, cera de abelha e betume, uma substância derivada do petróleo.
A autora principal da pesquisa, Wanyue Zhao, destacou que a análise dos aromas ampliou a compreensão sobre a história da mumificação e o refinamento gradual desse ritual funerário. Os pesquisadores encontraram novas informações sobre a evolução da prática e o aumento da complexidade técnica dos embalsamadores.
O trabalho foi realizado por químicos da Universidade de Bristol, no Reino Unido, e publicado em janeiro no Journal of Archaeological Science. Para alcançar os resultados, os cientistas capturaram gases liberados por bálsamos e bandagens, armazenando-os em recipientes selados e separando os componentes de cada aroma.
Ao todo, foram analisadas 35 amostras de bálsamos e faixas de 19 múmias datadas entre 3200 a.C. e 395 d.C., abrangendo cerca de dois mil anos de história. A equipe identificou 81 compostos orgânicos voláteis (COVs) relacionados a materiais como óleos, gorduras, cera, resinas e betume.
Os resultados indicam que as fórmulas variavam conforme a parte do corpo preparada. Amostras retiradas da cabeça apresentaram perfis químicos diferentes das do tronco, sugerindo que os embalsamadores utilizavam receitas distintas para regiões específicas, possivelmente para melhorar a preservação.
Além de elucidar os métodos funerários do Egito Antigo, o estudo pode abrir caminho para novas análises em acervos de museus ao redor do mundo. A técnica pode permitir a investigação de múmias e materiais associados sem intervenções invasivas, ampliando o conhecimento sobre essa prática emblemática da Antiguidade.

