Família rejeita propostas para vender sítio após possível descoberta de petróleo no CE

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

O agricultor Sidrônio Moreira, que encontrou um líquido com características semelhantes às do petróleo ao perfurar dois poços na zona rural de Tabuleiro do Norte, no Sertão do Ceará, recebeu propostas para vender a propriedade onde o material foi identificado. No entanto, a família afirma que não tem interesse em negociar a terra.

“Não temos interesse em vender. Apareceram algumas propostas, mas nada oficial”, disse Saullo Santiago, filho do agricultor, nesta segunda-feira (16). A propriedade, herdada por Sidrônio do pai, fica no Sítio Baixa do Juazeiro, uma área rural de cerca de 49 hectares onde ele vive com a esposa e dois filhos.

Segundo Saullo, o acesso mais curto ao local é de cerca de 22 quilômetros do centro de Tabuleiro do Norte. A descoberta do líquido ocorreu em novembro de 2024, quando o agricultor decidiu perfurar o solo em busca de água para a propriedade. Durante a escavação, surgiu um material escuro, viscoso e com odor característico, levando à interrupção dos trabalhos.

Foram abertos dois poços no terreno e, em ambos, o líquido apareceu antes que o lençol freático fosse atingido. O caso é acompanhado pela ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), que, na última quinta-feira (12), recolheu amostras do material encontrado nos poços. O conteúdo será analisado em laboratório e fará parte do processo para identificar a natureza da substância.

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A suspeita foi comunicada pela família à ANP em julho de 2025. O órgão respondeu em fevereiro de 2026 e enviou uma equipe técnica ao local, acompanhada por representantes da Semace (Superintendência Estadual do Meio Ambiente do Ceará). Durante a visita, técnicos ouviram a família, levantaram informações sobre as perfurações e orientaram que os poços permanecessem isolados enquanto a investigação segue em andamento.

Nos últimos dias, as chuvas na região aliviaram temporariamente a situação do abastecimento de água na propriedade. Enquanto aguarda o resultado das análises, a família afirma que não pretende perfurar novos poços. “Além do medo de furar e sair o mesmo líquido, estamos esperando o desenrolar dessa história”, explicou Saullo.

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