O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, deixará o governo Lula nesta semana para concorrer ao governo de São Paulo pelo PT nas eleições de outubro de 2026. Haddad assumiu o cargo em janeiro de 2023 e, durante sua gestão, destacou-se pela reforma tributária sobre o consumo e pela criação do arcabouço fiscal.
A reforma tributária, aprovada após três décadas de discussões no Congresso Nacional, busca unificar tributos e simplificar a cobrança de impostos, sem alterar a carga tributária total. O arcabouço fiscal, por sua vez, foi implementado para reorganizar as contas públicas e substituir o teto de gastos.
Durante sua gestão, os principais indicadores econômicos mostraram melhora. O PIB cresceu acima do esperado, o desemprego recuou a níveis recordes e a renda avançou, mesmo em um cenário de juros elevados e inflação controlada. No entanto, Haddad enfrentou dificuldades para consolidar sua credibilidade, inicialmente visto com receio pelo mercado financeiro.
Embora tenha conquistado confiança, Haddad lidou com resistências dentro do governo que limitaram sua agenda. Medidas de corte de gastos foram neutralizadas por prioridades do presidente Lula, como a regra de reajuste real do salário mínimo. Assim, a estratégia de Haddad se apoiou mais no aumento da arrecadação do que na redução de despesas.
Apesar do aumento das receitas, o país não conseguiu zerar o déficit público, e o endividamento continua a ser uma preocupação para agentes do mercado. Especialistas afirmam que Haddad deixa o cargo com demonstrações de capacidade técnica, mas sua atuação foi marcada por limitações impostas pelo Palácio do Planalto.
““Comparado ao que era necessário e ao que ainda precisará ser feito a partir de 2027, a avaliação não é positiva. Por outro lado, considerando todas as pressões que sofreu, fez o melhor possível e conteve ao máximo o aumento de gastos”, disse Henrique Meirelles, ex-ministro da Fazenda.”
Felipe Salto, economista-chefe da Warren Investimentos, também elogiou a gestão de Haddad, afirmando que ele conseguiu segurar as rédeas em um contexto adverso, evitando que o país caminhasse para a insolvência.
Haddad herdou problemas da gestão anterior, como o impasse dos precatórios e a compensação aos estados pela Lei Kandir. A aprovação do arcabouço fiscal foi bem recebida inicialmente, mas perdeu credibilidade com a exclusão de determinados gastos da regra.
Os indicadores econômicos e sociais mostraram resultados positivos, com a redução do desemprego e o aumento do rendimento médio da população. A isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil por mês, válida a partir de 2026, é considerada uma vitória da gestão no campo social.
Desde o início do mandato, Haddad defendeu medidas para aumentar a tributação da alta renda, incluindo a taxação de fundos exclusivos e a proposta de tributação de lucros e dividendos, que ainda enfrenta resistência no Legislativo.

