Pesquisas realizadas pela Ipsos mostram que as decisões de política externa do governo americano em relação ao Oriente Médio não estão sendo bem compreendidas pela população dos Estados Unidos. Clifford Young, presidente da Ipsos nos EUA, afirmou que os americanos têm dificuldade em entender as razões por trás das intervenções militares no Irã.
Durante uma entrevista, Young classificou o desempenho comunicativo do governo como insatisfatório, atribuindo nota zero à capacidade de justificar suas ações. Ele destacou: “Os americanos não entendem direito a razão dessa intervenção. Aliás, eles já vêm de forma negativa contra intervenções.” Young também mencionou uma tendência de fadiga em relação ao que é chamado de “guerras intermináveis”.
Young reconheceu que Donald Trump é um político “extremamente talentoso do ponto de vista de comunicação”, mas afirmou que, no caso do Irã, a administração não conseguiu criar consenso com o público. “Ele não justificou, ele não criou consenso internamente”, pontuou.
As pesquisas indicam que apenas cerca de um terço a 40% da população americana apoia as ações militares no Oriente Médio. Young ressaltou que, mesmo entre os republicanos, que costumam apoiar as decisões de Trump, existem dúvidas consideráveis sobre a necessidade dessas intervenções.
Além disso, Young apontou problemas na articulação com aliados internacionais. Ele observou que, diferentemente das administrações anteriores, como as de George H.W. Bush e George W. Bush, que buscaram construir coalizões para ações no Iraque, o atual governo não seguiu o mesmo caminho no caso do Irã. “Fica muito óbvio, tanto nas pesquisas na Europa, onde os Estados Unidos nesse momento têm uma credibilidade baixíssima, quanto com americanos”, afirmou Young, destacando o isolamento da posição americana no cenário internacional e a falta de apoio doméstico para as ações militares no Oriente Médio.


