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Justiça

ECA Digital entra em vigor hoje; conheça os principais aspectos da nova lei

Amanda Rocha
Última atualização: 17 de março de 2026 10:27
Amanda Rocha
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Tempo: 4 min.
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A Lei do Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital) nº 15.211/2025, entra em vigor no Brasil nesta terça-feira (17). A legislação visa proteger crianças e adolescentes no ambiente digital, abrangendo redes sociais, jogos eletrônicos, serviços de vídeo e lojas virtuais.

Sancionada em setembro de 2025, a nova lei não substitui o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) de 1990, mas estabelece diretrizes mais rigorosas sobre os direitos do público infanto-juvenil, garantindo que a proteção prevista no mundo físico se estenda ao digital.

Pesquisadoras de entidades ligadas ao direito da infância qualificaram a nova lei como “histórica” e de “vanguarda” para o país. A especialista em proteção digital de crianças e adolescentes, Águeda Barreto, da ONG ChildFund Brasil, afirmou que o Brasil se destaca ao aprovar uma lei que subsidia políticas públicas integradas.

““Nós acompanhamos que esse é um movimento global, mas essa lei brasileira aprovada é bem ampla”, disse Águeda Barreto.”

A aprovação do ECA Digital foi impulsionada por um vídeo do influenciador Felipe Bressanim Pereira, conhecido como Felca, que denunciou perfis em redes sociais que promoviam a sexualização de crianças e adolescentes. O vídeo, publicado em agosto do ano passado, alertou sobre os riscos de expor conteúdos impróprios para o público infanto-juvenil.

A lei proíbe a monetização ou impulsionamento de qualquer conteúdo que retrate menores de forma sexualizada ou com linguagem adulta. Maria Mello, do Instituto Alana, destacou que a discussão sobre adultização mobilizou autoridades, políticos e especialistas em torno do tema.

““O debate público a esse respeito cresceu e foi bastante importante para a lei, que já estava madura, para que pudesse ser aprovada rapidamente”, afirmou Maria Mello.”

Dados da pesquisa TIC Kids Online Brasil 2025 mostram que 92% das crianças e adolescentes brasileiros entre 9 e 17 anos acessam a internet, totalizando cerca de 24,5 milhões de pessoas. Entre os usuários de 9 e 10 anos, 64% têm perfil em redes sociais, percentual que sobe para 79% entre os de 11 e 12 anos e 91% entre os de 13 e 14 anos.

Com a nova legislação, a segurança na internet para usuários menores de 18 anos será compartilhada entre empresas de tecnologia e famílias. Menores de 16 anos só poderão acessar redes sociais se a conta estiver vinculada à de um responsável legal. Águeda Barreto explicou que o objetivo é monitorar conversas, tempo de uso e conteúdos inadequados.

““Não dá para terceirizar a educação dos filhos e depois culpar apenas as plataformas”, disse a advogada Bianca Mollicone.”

A legislação também determina que as plataformas devem oferecer ferramentas que apoiem a supervisão parental. A proibição da simples autodeclaração de idade é uma das regras estabelecidas, exigindo mecanismos mais confiáveis para verificar a idade do usuário.

O ECA Digital visa proteger crianças de ataques externos e determina a remoção obrigatória de conteúdos de exploração sexual, violência física, uso de drogas e cyberbullying em até 24 horas.

TAGGED:adultizaçãoÁgueda BarretoBianca MolliconeChildFund BrasilECA DigitalFelipe Bressanim PereiraInstituto AlanaLei FelcaMaria MelloPolíticaRedes Sociais
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