Operação Kodoma investiga esquema de carvão ilegal em Minas Gerais e bloqueia R$ 55 milhões

Amanda Rocha
Tempo: 3 min.

Uma operação da Polícia Civil de Minas Gerais investiga um esquema de extração e venda ilegal de carvão vegetal produzido a partir de mata nativa. A ação, chamada de Operação Kodoma, resultou no bloqueio de cerca de R$ 55 milhões em ativos financeiros e na apreensão de mais de R$ 30 mil em dinheiro vivo.

Ao todo, 27 pessoas físicas e jurídicas são alvo da apuração. A delegada Bianca Landau, chefe do Departamento Estadual de Investigação de Crimes contra o Meio Ambiente (Dema), informou que as investigações começaram em 2023, após a identificação de uma siderúrgica que estaria extraindo carvão de forma irregular.

De acordo com a polícia, o grupo atuava em conjunto para produzir, comercializar e ocultar a origem ilegal do material.

““As empresas misturavam carvão lícito com o carvão ilícito, e usavam a guia de controle do [carvão] lícito para dar aparência de legalidade e dificultar a investigação”,”

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explicou a delegada.

Outro recurso utilizado pelos investigados foi o uso de empresas de fachada registradas em nome de terceiros. Essas empresas, segundo a polícia, eram controladas pelos investigados e tinham várias filiais, facilitando a emissão de documentos e a circulação do carvão.

Durante a operação, também foram apreendidos equipamentos eletrônicos. Em Taiobeiras, foram encontrados R$ 27.650 em espécie, enquanto em Brasília (DF), outro alvo estava com R$ 5.600, incluindo valores em moedas estrangeiras, como ienes e dólares.

As apurações indicam indícios de crimes como lavagem de dinheiro, associação criminosa, falsidade ideológica, uso de documentos falsos e infrações ambientais. A delegada destacou que algumas empresas movimentavam valores muito acima do declarado.

““Uma das empresas investigadas apresentou lucro 11 vezes maior em três meses do que aquilo que ela anualmente declara”,”

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afirmou.

A polícia também apontou um impacto ambiental relevante, com um dos autos de fiscalização verificando que 9 mil metros cúbicos de carvão ilícito foram produzidos, representando um impacto ambiental muito grande.

A operação ocorreu em diversas cidades de Minas Gerais, como Várzea da Palma, Taiobeiras, Três Marias, Elói Mendes, Coração de Jesus, Indaiabira, Francisco Sá, Belo Horizonte, Águas Vermelhas, Santo Antônio do Retiro, Ubaí e Rio Pardo de Minas, além de Aracaju (SE) e Brasília (DF). As investigações continuam para identificar outros envolvidos e aprofundar a apuração sobre o esquema.

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