O sargento da Polícia Militar Pedro Inácio Araújo de Maria, condenado pela morte da estudante Zaira Cruz, de 22 anos, foi promovido duas vezes e continuou recebendo salários durante os cerca de sete anos em que esteve preso no Rio Grande do Norte.
O salário do militar mais que dobrou, passando de pouco mais de R$ 4 mil em março de 2019 para mais de R$ 10,6 mil em fevereiro de 2026, conforme dados do Portal da Transparência. Ao longo desse período, ele recebeu quase R$ 600 mil em salários brutos.
Quando foi preso, Pedro Inácio era cabo da Polícia Militar, mas foi promovido a terceiro sargento e, posteriormente, a segundo sargento enquanto aguardava julgamento. As promoções foram confirmadas pelo comandante geral da Polícia Militar, coronel Alarico Azevedo.
““A legislação militar permite que o policial, mesmo sub judice, sem condenação transitada em julgado, possa ser promovido”, explicou o coronel.”
Pedro Inácio foi condenado em dezembro de 2025 a 20 anos de prisão em regime fechado por estuprar e matar Zaira Cruz durante o Carnaval de 2019, em Caicó.
Recentemente, a Justiça autorizou a progressão de pena para o regime semiaberto, permitindo que o policial cumpra pena em casa, com uso de tornozeleira eletrônica. Apesar da mudança de regime, ele continua vinculado à Polícia Militar.
A corporação vai instaurar um conselho de disciplina para avaliar a permanência do policial na instituição. O prazo para conclusão é de cerca de 40 a 45 dias.
““A maioria dos casos, praticamente todos, acabam com o entendimento de que o militar é indigno de permanecer na instituição”, afirmou o coronel.”
Enquanto o processo administrativo estiver em andamento, Pedro Inácio ficará à disposição da Polícia Militar e deverá cumprir expediente em local a ser definido pela corporação.


