O presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou nesta terça-feira (17) que o país não participará de operações para desbloquear o estreito de Ormuz. A declaração foi uma resposta aos comentários do presidente dos EUA, Donald Trump, que indicou que Paris estava disposta a ajudar.
Trump, em um evento na Casa Branca na segunda-feira (16), mencionou uma conversa com Macron e deu a ele uma pontuação de “8 de 10” sobre sua disposição em obter aliados para a operação no estreito. Macron, no entanto, deixou claro: “Não somos parte do conflito e, portanto, a França nunca participará de operações para abrir ou libertar o estreito de Ormuz no contexto atual”.
Durante uma reunião de gabinete para discutir os conflitos no Oriente Médio, Macron destacou que a França continua a trabalhar em seus próprios esforços para formar uma coalizão que proteja o estreito de Ormuz, mas somente quando a situação de segurança se estabilizar. Autoridades francesas afirmaram que isso será feito sem a participação dos EUA.
Macron declarou: “Estamos convencidos de que, uma vez que a situação se acalme – e eu uso deliberadamente este termo de forma ampla – uma vez que o bombardeio principal tenha cessado, estamos prontos, juntamente com outras nações, para assumir a responsabilidade pelo sistema de escolta”.
As tensões aumentaram na região, com o Irã realizando ataques contra Israel e bases dos EUA, o que afetou as rotas marítimas e elevou os preços do petróleo. As potências europeias estão avaliando como defender seus interesses. A França consultou países europeus, asiáticos, incluindo a Índia, e árabes do Golfo na semana passada para elaborar um plano que permita a escolta de petroleiros e navios comerciais através do estreito.
Macron ressaltou que esse é um empreendimento complexo, que envolve aspectos políticos e técnicos, e requer discussões e desescalada com o Irã. Ele também mencionou que a missão exigiria um cessar-fogo ou uma redução das hostilidades, além de negociações prévias com o Irã.
Um oficial militar francês afirmou: “Estamos dissociando nossas ações das operações dos Estados Unidos e de Israel. Os EUA conduzem uma operação na qual não estamos envolvidos de forma alguma. Estamos agindo independentemente dos americanos”.
As principais atividades navais da União Europeia na região estão centradas na missão Áspides, lançada em 2024 para proteger navios de ataques dos houthis alinhados com o Irã. Na segunda-feira (16), os ministros das relações exteriores da UE concordaram em não prolongar essa missão além do seu mandato atual.


