A relação entre o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), e Paulo Gonet, da Procuradoria-Geral da República (PGR), tem sido marcada por divergências significativas. O analista de política Matheus Teixeira comparou essa situação a um desalinhamento anterior entre Alexandre de Moraes e o ex-procurador-geral Augusto Aras.
Durante o programa Bastidores CNN desta terça-feira (17), Teixeira analisou dois casos que evidenciaram esse descompasso. No primeiro, relacionado ao Banco Master, Mendonça seguiu a recomendação da Polícia Federal e decretou a prisão do proprietário Daniel Vorcaro, contrariando o parecer da PGR, que considerava a medida desnecessária.
Teixeira destacou que Mendonça enviou um recado duro a Gonet ao lamentar a posição da PGR. Menos de duas semanas depois, uma nova divergência surgiu no caso da deputada Gorete Pereira (MDB-CE), alvo de operação da Polícia Federal. Diferentemente do caso do Banco Master, Mendonça não criticou a PGR, mas se opôs à prisão, enquanto a PGR se mostrou favorável.
O cenário atual evidencia um desalinhamento entre o relator dos inquéritos e o titular da ação penal. A Polícia Federal é responsável pela investigação, enquanto a PGR detém o poder de pedir a condenação ou absolvição dos investigados. Teixeira observou que, embora a PF possa indiciar, a consequência jurídica real vem da PGR.
Teixeira também lembrou que Paulo Gonet mantém proximidade com ministros como Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, mas não possui histórico de relação com Mendonça. Seus laços institucionais estão mais conectados com outra ala do STF, o que pode explicar parte das divergências.


