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Saúde

Clínica médica é defendida como solução para reduzir custos e filas no SUS

Amanda Rocha
Última atualização: 17 de março de 2026 15:24
Amanda Rocha
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Tempo: 4 min.
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A Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados debateu nesta terça-feira (17) a valorização da clínica médica no Brasil. O encontro, solicitado pelo deputado Dr. Luiz Ovando (PP-MS), contou com a participação de representantes de sociedades médicas e conselhos profissionais, que concordaram que a especialidade é o ‘eixo integrador’ para tornar o Sistema Único de Saúde (SUS) mais eficiente e menos oneroso.

Dr. Luiz Ovando destacou que há uma distorção cultural e política que favorece a busca direta por especialistas, o que gera desperdício de recursos e fragmenta o cuidado. Ele afirmou:

“‘O paciente muitas vezes procura o especialista antes de qualquer coisa. Isso gera um gasto de dinheiro desnecessário. O clínico é o melhor caminho para influenciarmos as decisões políticas e evitarmos que o Estado gaste com exames que, muitas vezes, não resolvem o problema na ponta.'”

O parlamentar enfatizou a necessidade de políticas públicas que reposicionem a clínica médica no sistema de saúde.

“‘É preciso estabelecer uma política nacional de valorização do clínico dentro do contexto da política de saúde.'”

A presidente da Sociedade Brasileira de Clínica Médica de Brasília, Viviane Peterle, ressaltou que a fragmentação do cuidado encarece o sistema e dificulta diagnósticos adequados. Ela explicou:

“‘A clínica médica é a área dedicada a compreender o paciente como um todo. Quando ela está fortalecida, o diagnóstico acontece mais cedo e o tratamento se torna mais eficiente.'”

Peterle também mencionou que o envelhecimento da população e o aumento das doenças crônicas tornam o papel do clínico ainda mais relevante.

“‘Hoje temos uma população que envelhece com múltiplas doenças. O clínico é o profissional que consegue integrar esse cuidado e organizar o tratamento do paciente.'”

Outro ponto discutido foi a qualidade da formação médica no país. José Eduardo Lutaif Dolci, diretor científico da Associação Médica Brasileira, alertou sobre a falta de professores qualificados e campos de estágio adequados.

“‘A residência médica acaba sendo a última oportunidade de formar um médico competente para atender a população.'”

O deputado Osmar Terra (PL-RS) criticou a expansão acelerada de cursos de medicina, afirmando que isso compromete a qualidade do atendimento.

“‘Estamos vivendo um descalabro. O programa Mais Médicos virou uma linha de produção de faculdades ‘caça-níqueis’ que não têm corpo docente.'”

Carlos Magno Dalapicola, representante do Conselho Federal de Medicina, apresentou dados sobre a clínica médica no Brasil. Ele informou que, apesar de haver cerca de 40 mil médicos especialistas na área, 16% das vagas de residência estão ociosas.

“‘Com uma boa formação, o clínico consegue resolver cerca de 60% dos problemas na prática diária.'”

Fernando Otto, presidente da Sociedade de Clínica Médica de Santa Catarina, destacou a importância do clínico nas unidades de emergência.

“‘Entre 70% e 80% dos atendimentos de emergência são problemas clínicos.'”

Pedro Barros, diretor da Sociedade Brasileira de Clínica Médica, defendeu que o clínico deve ser o coordenador do cuidado do paciente.

“‘Nenhum sistema de saúde será eficiente se não tiver um clínico forte e valorizado no centro do cuidado.'”

Eduardo Freire Vasconcelos, presidente da Academia de Medicina de Brasília, afirmou que a clínica médica é a base de todas as especialidades médicas.

“‘Sem um clínico forte, a assistência especializada torna-se cara, ineficiente e desconectada.'”

Ao final da reunião, Dr. Luiz Ovando reiterou a necessidade de fortalecer a residência médica e criar políticas que incentivem a atuação do clínico no sistema público de saúde. As sugestões apresentadas na audiência deverão subsidiar propostas legislativas e recomendações ao Ministério da Saúde.

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