O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e parceiros iniciaram, nesta semana, um projeto piloto para o abate de cerca de 500 búfalos invasores em Rondônia. Os búfalos, que não são nativos do Brasil, causam destruição em reservas ambientais.
Esses animais, que se reproduzem sem controle e não possuem predadores naturais, provocam graves impactos na fauna e flora locais, incluindo a extinção de espécies nativas e a alteração do curso dos campos alagados. O biólogo e analista ambiental do ICMBio, Wilhan Cândido, afirmou que o abate é a única alternativa viável no momento, uma vez que a região é isolada e não há logística para retirar os animais vivos ou mortos.
A primeira fase do projeto piloto ocorrerá entre 16 e 20 de março e envolve dezenas de pessoas. O objetivo é testar um método de abate que seja eficiente, seguro para as equipes e cause o menor sofrimento possível aos animais. O abate é realizado por atiradores especializados com rifles. No primeiro dia, quase 30 búfalos foram abatidos, e a produtividade foi considerada positiva, superando as expectativas iniciais.
O plano é que aproximadamente 500 animais sejam abatidos nesta fase. Os pesquisadores também pretendem avaliar a capacidade diária de abate, observar o comportamento dos búfalos e as condições ambientais que influenciam a operação, além de mapear desafios logísticos e operacionais.
Uma equipe da Universidade Federal de Rondônia (Unir) está coletando material biológico dos animais abatidos para estudos sobre doenças infectocontagiosas. O professor de medicina veterinária da Unir, Alex Cicinato, destacou a importância de coletar amostras para determinar se a carne pode ser consumida.
Desde 2025, o ICMBio coleta amostras de água na área ocupada pelos búfalos para analisar a qualidade antes e depois do abate. A pesquisa busca responder se as carcaças dos animais afetarão espécies nativas e como isso impactará o ecossistema local.
Os búfalos, nativos da Ásia, foram introduzidos em Rondônia em 1953 e se reproduziram livremente, ameaçando a biodiversidade local. Atualmente, mais de 4 mil búfalos vivem na região do Vale do Guaporé, afetando espécies como o cervo-do-pantanal, considerado vulnerável à extinção.
Os búfalos, que podem medir quase dois metros de altura e pesar mais de meia tonelada, destroem a vegetação que serve de alimento para os cervos. Além disso, suas trilhas desviam o curso da água, afetando os campos alagados que são essenciais para a biodiversidade local.
A degradação causada pelos búfalos levou à morte de árvores, como os buritis, que perderam a capacidade de reter água. O analista Wilhan Cândido comentou que a recuperação da área pode levar de 70 a 100 anos, caso o principal fator de impacto, os búfalos, não seja removido.


