O ex-lutador iraniano Sardar Pashaei expressou preocupação com as jogadoras de futebol femininas do Irã que estão retornando ao país após não se posicionarem durante o hino nacional e terem recebido asilo na Austrália. Pashaei, campeão do Campeonato Mundial Juvenil de 1998, conhece bem o tratamento que atletas que protestam recebem no Irã, especialmente as mulheres.
“Se você é mulher, enfrenta uma camada diferente de discriminação. É assédio sexual. É forçá-la a usar algo que você não quer. E, além disso, como mulher, você é banida de muitos esportes”, disse Pashaei.
Ele compartilhou que viu amigas próximas, atletas femininas, enfrentarem essa discriminação e serem perseguidas pelo regime. “Eu conheço Soheila Farahani, que foi capitã da seleção nacional de vôlei. Ela foi condenada a 74 chibatadas porque uma foto dela sem hijab foi divulgada. Esse é um exemplo do tipo de discriminação que elas enfrentam”, afirmou.
Pashaei também mencionou Shaqaiq, uma amiga que foi capitã da equipe de handebol, que vive sob pressão e atualmente reside em um país onde não quer se identificar por questões de segurança. “O regime islâmico realmente foi atrás dela, mesmo fora do país, em solo europeu, para trazê-la de volta”, contou.
Três das seis jogadoras de futebol femininas iranianas que aceitaram asilo na Austrália estão retornando ao Irã. Tina Kordrostami, conselheira da cidade australiana de Ryde, informou que as atletas estão enfrentando ameaças contra suas famílias. “Eu sei que famílias foram até detidas. Eu sei que membros da família estão desaparecidos. Uma coisa que eu realmente gostaria que as pessoas no Ocidente entendessem é que os iranianos dentro do país, em muitos aspectos, desistiram do Ocidente e estão apenas contando uns com os outros para sobreviver a esse regime”, disse Kordrostami.
Pashaei afirmou que não ficaria surpreso se as jogadoras fossem forçadas a fazer uma confissão. “O regime quer dizer que elas são leais ao governo. Isso foi tudo um suposto jogo dos inimigos. E tenho certeza de que elas estarão sob pressão, investigadas”, declarou.
Ele relembrou as dificuldades que enfrentou ao representar o Irã sob o regime do Ayatollah. “Eles sempre enviam pessoas da segurança junto com a equipe. Eles assistem você. Eles querem manter a presença do regime ao seu lado. Então, você sente isso o tempo todo”, contou. “Lembro que, quando viajávamos, membros das agências de inteligência caminhavam atrás de nossas portas durante a noite, para que não saíssemos. Assim que íamos a um restaurante, eles iam lá e retiravam todas as bebidas alcoólicas e comidas de porco de nós.”


