O cientista político Leandro Gabiati, diretor da Dominium, afirmou que a condenação de deputados por desvio de emendas parlamentares pelo STF (Supremo Tribunal Federal) evidencia uma grave disfuncionalidade entre os Poderes da República brasileira.
Durante entrevista ao programa WW, Gabiati destacou que o país enfrenta um problema estrutural nas relações institucionais. Ele afirmou que ‘a questão da disfuncionalidade dos poderes dentro da República’ é central para compreender o momento atual.
O especialista mencionou ‘um poder de veto de um poder justamente sobre outro’ e ‘uma dificuldade de avançar em processos decisórios’, resultando em bloqueios mútuos motivados por divergências de interesses.
Gabiati também chamou a atenção para um problema que, segundo ele, ‘tem marcado a República nos últimos 15 anos’: a apropriação de parte significativa do orçamento pelo Congresso sem a devida prestação de contas. Ele explicou que ‘o Congresso se apropria de uma parte importante do orçamento e, de alguma forma, sem ter uma contabilidade, sem ter uma responsabilidade na prestação de contas dessas ações’.
O cientista político destacou a atuação do ministro Flávio Dino no STF, que tem ganhado centralidade na Corte por suas recentes decisões. Segundo Gabiati, Dino divide o protagonismo com o ministro André Mendonça, que conduz a operação do Banco Master, enquanto Dino avança em diferentes frentes.
Entre as ações recentes lideradas por Dino, Gabiati mencionou três casos emblemáticos: a decisão sobre penduricalhos do Judiciário, a anulação da possibilidade de aposentadoria compulsória como punição e, mais recentemente, a condenação no caso das emendas parlamentares. Ele analisou que essas ações buscam ‘reforçar a posição do Supremo nesse diálogo ou enfrentamento entre poderes’.
O especialista observou que a quantidade de parlamentares sob investigação é alarmante. Cerca de 80 deputados são alvos do STF, o que representa uma parcela considerável dos 513 membros da Câmara dos Deputados. Esse cenário levanta questões sobre a integridade das instituições e a necessidade de mecanismos mais eficientes de controle e transparência no uso dos recursos públicos.


