Uma aposentada de 73 anos, residente em São José do Rio Preto, São Paulo, relatou momentos de desespero após cair em um golpe de um falso gerente de banco, resultando em um prejuízo de R$ 50 mil.
Elisa Murro afirmou que, mesmo sem saldo em sua conta corrente, os golpistas conseguiram realizar empréstimos em seu nome. Ela agora busca resolver a situação na Justiça.
Os criminosos se passaram por funcionários do Bradesco, utilizando o nome do gerente que a atendia regularmente, e conseguiram acessar a conta da aposentada. “Quando eu vi minha conta, ele tinha feito um empréstimo de R$ 25 mil no crédito consignado e R$ 20 mil no crédito pessoal. Como eu não tinha dinheiro na conta, ele usou o que o Bradesco tinha me dado de vantagem”, contou Elisa em entrevista.
A aposentada já havia solicitado ao banco a retirada das ofertas de crédito, pois não pretendia utilizar os empréstimos. O Bradesco informou que não comenta casos específicos, mas alertou que golpes frequentemente envolvem criminosos se passando por representantes do banco, induzindo as vítimas a realizarem transações em seus dispositivos.
“”O Bradesco não comenta casos específicos de clientes nem situações que estejam sub judice. Importante esclarecer que golpes dessa natureza costumam ocorrer por meio de engenharia social, quando criminosos se passam por representantes de instituições financeiras e induzem vítimas a realizar transações ou procedimentos em seus próprios dispositivos, sem perceber que estão sendo alvo de fraude”, informou o banco.”
Elisa faz parte de uma estatística da Fundação Seade, que indica que 82% das pessoas com 60 anos ou mais já sofreram tentativas de golpes virtuais no estado de São Paulo. Na região de São José do Rio Preto, foram registrados 21,5 mil casos de golpes em 2025, segundo a Polícia Civil.
O delegado seccional Éverson Contelli, que atua no combate a crimes cibernéticos, destacou que a maioria dos golpes é realizada por meio de falsas narrativas. “É alguém que monta um teatro, conta uma história e essa pessoa se envolve. Hoje, mais de 60% dos golpes são compostos por elementos de engenharia social: é o falso parente, é o falso funcionário e por aí vai”, afirmou Contelli.
Outro idoso da região, que preferiu não ser identificado, perdeu mais de R$ 3 mil após receber mensagens de um golpista se passando por sua filha e pedindo dinheiro. Ele relatou que, distraído com o trabalho, acabou realizando o pagamento solicitado.
A Associação dos Profissionais e Empresas de Tecnologia (Apeti) recomenda que ninguém faça transferências ou forneça senhas sem consultar um familiar de confiança, alertando que os criminosos têm acesso a ferramentas que facilitam golpes. “Com a Inteligência Artificial, já não dá mais para confiar nem em ligações ou áudios recebidos. A única coisa em que ainda podemos confiar é na pessoa que está na sua frente”, orientou João Paulo Rodrigues, presidente da Apeti.


