O Irã lançou bombas de fragmentação em um ataque a Israel na noite de terça-feira, 17 de março de 2026, como retaliação à morte de Ali Larijani, chefe do Conselho Supremo de Segurança do Irã. Segundo a TV estatal iraniana, os mísseis foram direcionados a Tel Aviv. O ataque resultou na morte de duas pessoas e deixou cinco feridas, conforme informações dos serviços de emergência locais.
As vítimas fatais eram um casal de idosos que estava em um prédio atingido em Ramat Gan, subúrbio de Tel Aviv. De acordo com o jornal israelense Haaretz, eles não conseguiram chegar a tempo ao bunker do edifício. Além disso, os ataques com bombas de fragmentação também causaram ferimentos em outras cinco pessoas nas cidades de Kafr Qasem, Petah Tikva e Bnei Brak.
As autoridades israelenses, normalmente restritivas quanto à divulgação de informações sobre ataques, têm buscado conscientizar o público sobre os perigos das bombas de fragmentação, que podem permanecer ativas no solo mesmo após a evacuação de civis. Na última semana, pelo menos três pessoas morreram em ataques iranianos, incluindo duas em um canteiro de obras no centro de Israel.
Israel já havia denunciado o uso de munições de fragmentação pelo Irã durante a guerra de 12 dias em junho de 2025. Historicamente, Israel também utilizou esse tipo de armamento em conflitos contra o Líbano, com denúncias de seu uso em 2024 durante confrontos com o grupo extremista Hezbollah.
As munições de fragmentação, conhecidas como “cluster munition”, são projetadas para se abrir no ar e liberar várias submunições sobre uma área ampla, atingindo simultaneamente soldados, veículos e infraestruturas. De acordo com o Comitê Internacional da Cruz Vermelha, essas munições foram usadas pela primeira vez na Segunda Guerra Mundial e muitas permanecem estocadas desde a Guerra Fria.
O uso de bombas de fragmentação é amplamente criticado por organizações internacionais devido ao alto risco que representam para civis. Em 2008, mais de 110 países assinaram a Convenção sobre Munições Cluster, que proíbe o uso, desenvolvimento e transferência desse tipo de armamento. No entanto, nem Israel nem Irã são signatários do tratado.
Além disso, potências militares como Estados Unidos, Rússia e Ucrânia também não aderiram à convenção. O Brasil, que não é signatário, foi criticado em 2017 por um relatório da Human Rights Watch que denunciou o uso de bombas de fragmentação de fabricação brasileira em ataques no Iémen.
A ONG Landmine and Cluster Munition Monitor informou que Israel usou munições de fragmentação pela última vez em 2006, no sul do Líbano, e acredita que o país ainda possui grandes estoques desse armamento. A organização não conseguiu verificar o uso de mísseis de fragmentação pelo Irã em 2025 e não menciona os ataques recentes.

