A polícia de Pombal, na Paraíba, considera improvável a hipótese de envenenamento intencional em um caso de surto de intoxicação alimentar que resultou na morte de uma mulher e deixou mais de 110 pessoas doentes. O delegado Rodrigo Barbosa, responsável pelo inquérito, confirmou a informação.
O delegado explicou que a dinâmica do caso levou a polícia a afastar a possibilidade de envenenamento intencional, uma vez que funcionários da pizzaria também consumiram o alimento e apresentaram sintomas de mal-estar na noite em que as pizzas foram vendidas. “Atualmente a polícia considera improvável um envenenamento intencional, mas ainda trabalha com a possibilidade de um envenenamento acidental”, afirmou.
Marcos Antônio, um dos administradores da pizzaria e padrasto do dono, foi ouvido pela polícia. Ele mencionou que desconfiou da carne de sol utilizada na pizza com nata, que foi comprada no sábado (14) pela manhã e a nata preparada durante a tarde. O delegado destacou que essa desconfiança foi corroborada por outros relatos.
A vítima, identificada como Raíssa Meritein Bezerra e Silva, de 44 anos, pediu uma pizza de carne de sol no local. O delegado informou que a carne não foi exposta a veneno e que o local não passou por dedetização no dia do ocorrido.
A Polícia Civil investiga dois crimes: o consumo de alimento impróprio, previsto na Lei 8.137, e homicídio culposo, em razão da morte da cliente. O exame toxicológico da vítima e amostras dos alimentos foram coletados, e o resultado deve sair em cerca de duas semanas.
“A morte dela passa a ser considerada um possível homicídio culposo. Precisamos esclarecer o que aconteceu com base nos alimentos que foram usados e tentar descobrir a possível contaminação”, disse o delegado. Todos os envolvidos na cadeia de preparo e venda dos alimentos podem ser responsabilizados, caso fique comprovada negligência.
O dono da pizzaria ainda não foi intimado a prestar depoimento. Em um vídeo, ele lamentou a morte de Raíssa e afirmou que nunca teve a intenção de machucar alguém. “Estou colaborando com a vigilância e a Polícia Civil, porque eu preciso da verdade”, ressaltou.
Raíssa era engenheira agrônoma e servidora pública. Após consumir a pizza, ela e seu namorado passaram mal e foram ao Hospital Regional de Pombal. Raíssa foi internada e faleceu na manhã de terça-feira (17). O sepultamento ocorreu na quarta-feira (18), às 10h, no Cemitério São Francisco, em Pombal.

