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Justiça

CPI do Crime aprova investigações sobre beneficiários do Banco Master

Amanda Rocha
Última atualização: 18 de março de 2026 12:51
Amanda Rocha
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Tempo: 4 min.
CPI do Crime aprova investigações sobre beneficiários do Banco Master
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A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado do Senado aprovou, nesta quarta-feira (18), requerimentos para investigar o esquema de fraudes do Banco Master. As investigações incluem a solicitação de informações sobre os beneficiários finais dos fundos vinculados ao Master e à Reag Investimentos.

A maioria da Comissão rejeitou, por seis votos a dois, o pedido de quebra dos sigilos bancário e fiscal do ex-ministro da Fazenda Paulo Guedes, apontado por parlamentares como possível facilitador da fraude por meio de políticas de desregulação do mercado financeiro.

Além disso, foi rejeitado, por seis votos a quatro, o pedido para convocar o presidente do Partido Liberal (PL), Valdemar da Costa Neto, como testemunha. Valdemar revelou que o cunhado de Daniel Vorcaro, Fabiano Zettel, doou R$ 3 milhões para a campanha de Jair Bolsonaro, além de doações ao então candidato ao governo de São Paulo, Tarcísio de Freitas.

A CPI aprovou a convocação da ex-noiva de Vorcaro, a empresária e influenciadora Martha Graeff, que teria recebido um imóvel avaliado em R$ 450 milhões do banqueiro. Os parlamentares consideram que isso pode configurar ocultação de patrimônio.

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Foi aprovada também a convocação de dirigentes e sócios da Prime Aviation, empresa ligada a Vorcaro, e a quebra de sigilos fiscal, bancário e telefônico da companhia. A senadora Soraya Thronicke (Podemos/MG), autora dos requerimentos, afirmou que a Prime Aviation seria “peça central” na rede de lavagem de dinheiro, tendo cedido uma aeronave para que o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) realizasse campanha para Jair Bolsonaro em 2022.

A CPI também convocou o ex-governador do Mato Grosso (MT), Pedro Taques, que denunciou fraudes em crédito consignados que causaram prejuízos a servidores estaduais. O ex-diretor de fiscalização do Banco Central, Paulo Sérgio Neves de Souza, deveria ser ouvido, mas não compareceu devido a uma decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça que tornou sua presença opcional.

O relator da CPI, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), apresentou um requerimento para identificar os beneficiários finais dos fundos de investimento vinculados ao Master e à Reag Investimentos. O pedido foi direcionado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), ao Banco Central (BC), à Receita Federal e à Anbima.

“Um desafio imenso nesse trabalho de identificação desse fluxo de lavagem de dinheiro é chegar ao beneficiário final. Hoje você usa várias camadas de fundos para ocultar o verdadeiro destino e o verdadeiro dono do dinheiro”, explicou o relator. Ele argumentou que esses fundos são frequentemente utilizados para fins criminosos.

A oposição criticou os requerimentos para quebra de sigilos de integrantes do governo anterior, como o ex-ministro Paulo Guedes, e a convocação de Valdemar da Costa Neto, que foram rejeitados. O senador Marco Rogério (PL-RO) afirmou que os pedidos fogem do escopo original da CPI e são motivados por disputas político-eleitorais.

O senador Rogério Carvalho (PT-SE) lembrou que o esquema do Banco Master cresceu durante a gestão econômica do governo anterior, que deveria ter protegido o mercado de capitais do país.

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