A Justiça do Acre pronunciou o ex-tenente da reserva da Polícia Militar do Acre (PM-AC), Reginaldo de Freitas Rodrigues, de 56 anos, a júri popular por feminicídio. Ele é acusado de assassinar a companheira Ionara da Silva Nazaré, de 29 anos, com quatro tiros em 27 de setembro de 2025, no bairro Mocinha Magalhães, em Rio Branco.
Ainda não há data marcada para o julgamento. Com a pronúncia, feita na última segunda-feira (16), a Justiça abriu prazo para que a defesa do acusado e o Ministério Público do Acre (MP-AC) se manifestem. Reginaldo é defendido pela Defensoria Pública do Estado (DPE-AC), que não costuma se pronunciar sobre os casos.
Testemunhas relataram que o relacionamento entre a vítima e o acusado durava cerca de um ano e que ele era ciumento, embora Ionara nunca tivesse denunciado agressões anteriores. O juiz Fábio Alexandre Costa de Farias entendeu que Ionara foi morta em um contexto de violência doméstica e familiar, uma vez que ela estava na varanda de casa.
O magistrado destacou que o homem deve ter um aumento de pena devido à vítima ser responsável por duas crianças de 3 e 7 anos e o crime ter ocorrido na frente delas. Reginaldo usou um recurso que dificultou a defesa da vítima e a assassinou em meio a uma discussão sobre os valores que ele pagava de pensão alimentícia para um filho de um relacionamento anterior.
A prisão preventiva de Reginaldo foi mantida. Ele está detido desde 29 de setembro de 2025, dois dias após o crime, quando se entregou a uma viatura que estava no Segundo Distrito da cidade. A arma que ele possuía, de propriedade da PM, também foi apreendida.
O indiciamento de Reginaldo foi emitido em 8 de outubro de 2025, pelo Ministério Público do Acre (MP-AC). Durante o interrogatório, o ex-tenente optou por permanecer em silêncio. A DPE chegou a pedir a revogação da prisão, mas a Justiça negou o pedido, considerando a gravidade do crime e o risco de reiteração.
A filha mais velha de Ionara, que estava presente no momento do crime, relatou à polícia que ouviu os disparos e encontrou a mãe caída no chão, já sem vida. As meninas não eram filhas de Reginaldo e, por não ter ligação direta, ele fugiu logo após o crime, deixando-as sozinhas na casa. Ionara morreu antes da chegada do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).
O inquérito indiciou o militar por feminicídio com base no artigo 121 do Código Penal, combinado com a Lei Maria da Penha (Lei 11.340/2006). Reginaldo se aposentou como 2º tenente em fevereiro de 2018, após completar mais de 30 anos de serviço, e foi reconvocado em 2022 para atuar na área administrativa do Quartel do Comando-Geral da Polícia Militar (PM-AC).


