A pesquisadora Becca Levy, da Universidade Yale, apresentou um estudo que contesta a ideia de que envelhecer é sinônimo de declínio. O estudo foi divulgado no início de março de 2026.
Levy, uma referência em determinantes psicossociais da saúde no envelhecimento, analisou dados do Health and Retirement Study (HRS), que acompanha idosos americanos. Os resultados mostraram que quase metade dos adultos com 65 anos ou mais melhorou na função cognitiva, na função física, ou em ambas, ao longo do tempo.
A pesquisa revelou que 45% dos participantes do HRS apresentaram melhorias em pelo menos um dos dois domínios avaliados. Cerca de 32% progrediram cognitivamente e 28% fisicamente. Além disso, muitos indivíduos cujas pontuações cognitivas permaneceram estáveis desafiaram o estereótipo de deterioração.
“Muitas pessoas equiparam o envelhecimento a uma perda inevitável e contínua de habilidades físicas e cognitivas”, afirmou Levy. “O que descobrimos é que a melhora na vida tardia não é rara, é até comum, e deve ser integrada em nossa compreensão do processo de envelhecimento.”
O estudo também destacou que as crenças dos participantes sobre a idade influenciam os resultados. Aqueles com uma visão mais positiva eram mais propensos a melhorar tanto na cognição quanto na velocidade de caminhada, mesmo após ajustes por fatores como sexo, educação e doenças crônicas.
“Nossas descobertas sugerem que existe uma capacidade de reserva para melhora na vida tardia. Como as crenças sobre a idade são modificáveis, isso abre portas para intervenções tanto em nível individual quanto social”, concluiu Levy.


