A participação de mulheres na construção civil tem avançado de forma consistente, refletindo mudanças no perfil do setor. Apesar de ainda haver oportunidades para ampliar a presença feminina nos canteiros de obras e em posições de liderança, o crescimento registrado nos últimos anos indica uma transformação na indústria.
A MRV, por exemplo, tem registrado um aumento expressivo na contratação de engenheiras e na promoção de um ambiente de trabalho mais diverso e inclusivo. Dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) de 2024 mostram que as mulheres representam apenas 11,50% da força de trabalho no setor, um aumento de 184% desde 2006, mas a sub-representação ainda é evidente.
““Estamos falando de inteligência organizacional. Ignorar o talento das mulheres em um país onde elas representam mais da metade da população é desperdiçar potencial”, disse Ana Cláudia Gomes, presidente da Comissão de Responsabilidade Social da Câmara Brasileira da Indústria da Construção.”
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que apenas 39% dos cargos de liderança no Brasil são ocupados por mulheres, e na construção civil essa proporção é ainda menor. No entanto, segundo o Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea), os registros profissionais de mulheres cresceram 36% nos últimos cinco anos, totalizando mais de 240 mil engenheiras em atuação no país.
Em 2024, as mulheres representavam 31,28% das matrículas em cursos de engenharia no Brasil, sinalizando um interesse crescente e uma futura maior inserção nesse mercado. “Quando olhamos para as escolas de engenharia, vemos muitas mulheres. Isso mostra que existe uma perspectiva de médio e longo prazo de termos mais mão de obra feminina disponível para o setor”, comentou Ana Cláudia Gomes.
Diversas iniciativas setoriais têm surgido para qualificar e empoderar mulheres na construção civil. O projeto de capacitação “Elas Constroem”, em parceria com o SENAI, foca nas habilidades técnicas e na mudança cultural do setor. Programas como “Elas no Conselho” buscam aumentar a representatividade feminina em conselhos de administração e em posições de alta liderança.
A MRV registrou um aumento de 64,5% no número de engenheiras contratadas nos últimos 10 anos, superando a média nacional. Além disso, a empresa observou um aumento de quase 45% no total de mulheres no quadro de colaboradores e um avanço de 89% na presença feminina em cargos de liderança. O número de auxiliares femininas cresceu 125,3% e o total de analistas mulheres aumentou 306,5%.
Para garantir um ambiente de trabalho seguro e respeitoso, a MRV investe em campanhas de conscientização e treinamentos contra assédio. Durante o mês de março, cartazes abordam temas como a não tolerância a piadas machistas e o incentivo à denúncia de violência contra a mulher. “Nossa atuação vai além da contratação. Trabalhamos o letramento e o combate à violência contra mulheres durante todo o ano”, explicou Tatiana de Villefort, diretora de Desenvolvimento Humano da MRV.
As trajetórias de engenheiras na MRV exemplificam a inclusão no setor. Caroline Olimpio Dias, 39 anos, começou como estagiária e agora lidera cerca de 180 colaboradores em duas obras em Pirituba (SP). “Hoje, sou respeitada como líder técnica e percebo que o toque feminino traz um diferencial de detalhamento e capricho que torna a obra mais harmoniosa”, relatou a profissional.

