A corrida presidencial de 2026 deve ser decidida por uma pequena margem de votos, assim como ocorreu em 2022. A seis meses da eleição, as pesquisas mostram um quadro de equilíbrio entre o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), que aparecem empatados nas simulações de segundo turno.
Diante desse cenário acirrado, a eventual interferência do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na eleição brasileira ganha destaque. Flávio Bolsonaro, candidato da oposição e filho mais velho de Jair Bolsonaro, manifestou publicamente que conta com a ajuda de Trump para vencer a disputa.
Durante a maior conferência conservadora dos Estados Unidos, realizada em Dallas no último fim de semana, o senador fez um apelo ao governo norte-americano para que exerça pressão diplomática em favor de “eleições livres e justas” no Brasil. Ele alertou sobre os riscos de censura e fraude na próxima campanha, adaptando o discurso de seu pai, que em 2022 afirmou que só perderia a reeleição se fosse roubado.
Flávio Bolsonaro também ressaltou promessas de parceria privilegiada com os Estados Unidos, em contraste com o antiamericanismo da política externa defendida por Celso Amorim, assessor especial de Lula. Ele afirmou que, se eleito, o Brasil poderia disponibilizar suas reservas de minerais críticos para ajudar os Estados Unidos a reduzir a dependência da China.
Por outro lado, Lula, que enfrenta dificuldades para recuperar popularidade, não veria com maus olhos uma tentativa de interferência de Trump. Aliados e oposicionistas acreditam que uma ação desse tipo poderia dar ao presidente uma nova oportunidade de reativar o discurso de defesa da soberania nacional, atribuindo a Trump e aos bolsonaristas a responsabilidade por problemas domésticos.
No ano passado, o tarifaço do governo americano às exportações brasileiras, apoiado pelo clã Bolsonaro, permitiu a Lula se posicionar como defensor da soberania e da economia, resultando em um aumento de sua popularidade. Uma nova incursão de Trump poderia repetir esse cenário, permitindo a Lula reforçar a narrativa de que problemas como o aumento do preço dos combustíveis são consequências da política externa intervencionista dos EUA.
Um dos maiores rivais do PT comentou que o azar de Lula foi ter feito as pazes com Trump, e que essa trégua pode ser abalada por ações do presidente norte-americano e apelos da família Bolsonaro.

