Um centro de pesquisa financiado pela Fapesp lançou um portfólio online para aproximar ciência e mercado. O CEPED de Biodiversidade e Mudanças Climáticas, vinculado à Unesp, busca ampliar parcerias com empresas, especialmente no agronegócio.
O documento digital reúne tecnologias, pesquisadores e competências, apresentando inovações desenvolvidas na instituição e aplicadas em áreas rurais. A proposta visa transformar pesquisas em estágios iniciais em aplicações práticas que possam gerar negócios rentáveis.
Leonardo Fraceto, coordenador de inovação do CBioClima, destacou que o portfólio inclui tecnologias de monitoramento ambiental, práticas agrícolas sustentáveis e soluções inovadoras baseadas na natureza. Ele afirmou:
““Mais do que as tecnologias que a gente tem, as patentes que já existem, a gente entendeu que seria importante comunicar também a expertise dos pesquisadores no desenvolvimento de novas soluções.””
O portfólio funciona como uma vitrine do ecossistema de pesquisa, permitindo que empresas encontrem parceiros desde o início do desenvolvimento. Fraceto explicou:
““Às vezes, a gente não tem uma solução pronta, mas existe um caminho para resolver o problema.””
Entre as aplicações estão pesquisas com micro-organismos e nanotecnologia voltadas ao aumento da produtividade agrícola e à adaptação às mudanças climáticas. Um exemplo é o uso de sistemas de liberação de oxigênio para tratamento de sementes, que ajudam plantas a resistir a condições adversas.
O lançamento do portfólio é um passo inicial para buscar financiamento e parcerias, em um momento estratégico, pois o Brasil ajusta suas políticas públicas para alinhar ciência, inovação e governança ambiental. O CBioClima visa contribuir para as metas de redução das emissões líquidas de gases de efeito estufa até 2035.
O grupo levou cerca de um ano para construir o documento e agora espera medir o impacto da iniciativa no setor produtivo. Fraceto afirmou:
““Queremos entender se o primeiro contato das empresas vem a partir do portfólio ou de eventos.””
Os próximos passos incluem a internacionalização do material e a criação de startups a partir de pesquisas acadêmicas. Fraceto ressaltou:
““A gente quer formar profissionais que entendam tanto a ciência quanto as demandas do mercado.””

