A Polícia Civil de São Paulo investiga uma tentativa de golpe de quase R$ 1 bilhão contra o espólio de João Carlos Di Genio, fundador do grupo Objetivo. A fraude começou a ser desmantelada após a perícia identificar irregularidades em documentos apresentados pelos suspeitos.
Os investigadores descobriram que as assinaturas atribuídas ao empresário foram manipuladas. Os documentos continham assinaturas verdadeiras de Di Genio, mas inseridas de forma fraudulenta.
““As assinaturas eram realmente do Di Genio. Eles recortavam a assinatura original e, por meio de tecnologia, colavam no contrato fictício”,”
afirmou Fúlvio Mecca, delegado da Polícia Civil.
A manipulação das datas dos documentos também levantou suspeitas, indicando que o empresário teria assinado um acordo antes de falecer. Além disso, a notificação da família sobre uma suposta dívida foi considerada falsa.
““A notificação havia sido assinada falsamente por um porteiro da empresa do Di Genio. Eles identificaram quem era o porteiro e falsificaram uma assinatura dele”,”
disse Carlos Brno Gaya da Costa, promotor de Justiça.
A ausência de documentos originais foi um fator crucial para o avanço das investigações. A família de Di Genio solicitou acesso aos papéis que comprovariam a negociação de terrenos, mas não recebeu os registros. Um terreno avaliado em R$ 635 milhões foi utilizado como parte do golpe.
Desconfiada da compra do terreno, a família pediu os documentos originais, que nunca foram entregues. Mesmo diante das inconsistências, os suspeitos tentaram legitimar a cobrança através de uma decisão de arbitragem, que reconheceu a dívida e elevou o valor para quase R$ 1 bilhão. Contudo, essa sentença também foi alvo de investigação devido a falhas no processo de notificação.
Os investigadores acreditam que a fraude foi planejada em várias etapas, com o intuito de simular uma negociação legítima e induzir o reconhecimento da dívida.
““Foi tudo uma encenação”,”
afirmou o promotor.
““Esses criminosos identificaram essa vulnerabilidade de regulação para tentar obter grande vantagem indevida.””
O caso segue sob investigação, com suspeitas de crimes como estelionato, falsidade ideológica e organização criminosa. O grupo atuava de forma organizada, explorando vulnerabilidades do sistema para obter vantagem sobre uma herança estimada em R$ 16 bilhões. O inventário ainda não foi concluído.
Entre os investigados estão: Luís Teixeira da Silva Júnior, ligado à empresa que apresentou a cobrança; Rubens Maurício Bolorino, ex-policial civil com histórico criminal; Wagner Rosse Silva, responsável pela câmara arbitral; e Jorge Alberto Rodrigues de Oliveira, facilitador do esquema. Até o momento, apenas um suspeito foi preso, enquanto outros oito estão foragidos.
O Ministério Público também investiga outros suspeitos, incluindo Anani Cândido de Lara, Patricia Alejandra Ormart Barreto, Camila Mariana Alejandra Piaggio Nogueira Ormat, Carlos Xavier Lopes e Aline Cordeiro de Oliveira Boaventura.
A defesa de Luiz Teixeira afirmou que ele se colocou à disposição da Justiça e que a perícia nos documentos não é oficial. A viúva de Di Genio declarou confiar nas investigações. A defesa dos demais citados não foi localizada ou não se manifestou até a última atualização desta reportagem.

