A preservação ambiental na Região dos Abrolhos, entre o sul da Bahia e o norte do Espírito Santo, tem se mostrado um motor econômico significativo. Um estudo inédito do WWF-Brasil, em parceria com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, revela que a conservação marinha e costeira está diretamente relacionada à geração de renda e empregos na região.
De acordo com o levantamento, atividades como pesca, turismo e gestão de Unidades de Conservação movimentaram R$ 1,9 bilhão e sustentaram 100 mil postos de trabalho em 2024. Os dados demonstram que proteger o meio ambiente é também um excelente negócio, promovendo geração de renda sem comprometer os recursos naturais da região.
As Unidades de Conservação desempenham um papel estratégico nesse contexto. O estudo aponta que elas foram responsáveis, direta e indiretamente, por mais de 29 mil empregos e por uma injeção de R$ 536,3 milhões nas economias locais. Isso representa cerca de 30% dos empregos e 28% da atividade econômica relacionada à pesca e ao turismo em Abrolhos.
Entre os destaques, o Parque Nacional Marinho dos Abrolhos registrou 16 mil visitantes em 2024, gerando R$ 7 milhões para a economia local. O Parque Municipal Recife de Fora atraiu mais de 73 mil turistas, contribuindo com R$ 51 milhões. As reservas extrativistas de Canavieiras, Corumbau e Cassurubá responderam por mais de 18 mil postos de trabalho, gerando R$ 330 milhões.
O turismo, devido à beleza natural da região, é o principal motor financeiro, gerando quase 22 mil empregos diretos e R$ 611,5 milhões em renda em 2024, além de impactos indiretos que ampliam esses números. A pesca artesanal também é fundamental, com mais de 10 mil empregos diretos e um forte efeito multiplicador na economia local.
““Quando considerados os efeitos indiretos, o número total de empregos praticamente triplica e a renda gerada mais que dobra”, afirmou Marina Corrêa, analista de conservação do WWF-Brasil.”
Ela ressaltou que o estudo evidencia que proteger áreas marinhas não é apenas uma agenda ambiental, mas uma estratégia econômica capaz de sustentar cadeias produtivas inteiras. A análise foi baseada em dados oficiais e em uma matriz de insumo-produto, metodologia que permite mensurar impactos diretos e indiretos na economia.
Os pesquisadores indicam que os efeitos reais podem ser ainda maiores, uma vez que o levantamento considerou apenas parte das áreas protegidas com dados disponíveis. A Região dos Abrolhos, rica em biodiversidade, abriga ecossistemas estratégicos, como recifes de coral e manguezais, além de espécies emblemáticas como as baleias-jubarte.
Reconhecida internacionalmente como “Hope Spot” pela organização Mission Blue, a área é considerada fundamental para a conservação marinha no Atlântico Sul. Os autores do estudo destacam que investir em conservação ambiental não apenas protege a natureza, mas também fortalece economias locais, gera empregos e contribui para o desenvolvimento sustentável.

