O jornal britânico Financial Times publicou uma reportagem em sua edição digital nesta terça-feira, 7 de abril de 2026, que aborda a ressurreição político-eleitoral do clã Bolsonaro. A matéria, intitulada “A dinastia Bolsonaro planeja o seu retorno”, destaca que, no final do ano passado, a família parecia estar politicamente acabada, com o patriarca Jair Bolsonaro preso e condenado a 27 anos por planejar um golpe, e seu filho Eduardo Bolsonaro, frequentemente visto como o herdeiro, expulso do Congresso e vivendo em exílio autoimposto nos EUA.
A reportagem afirma que a família está orquestrando um retorno rápido, com o senador Flávio Bolsonaro, o filho mais velho, emergindo como um candidato altamente competitivo a seis meses das eleições presidenciais. As pesquisas indicam que ele está empatado ou vencendo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em um cenário de insatisfação dos eleitores com a economia e preocupações com a segurança.
Flávio Bolsonaro busca traçar um forte contraste pessoal com Lula, que concorre ao seu quarto mandato aos 80 anos. Ele declarou:
““O Brasil precisa urgentemente de mudanças, de um governo mais jovem, moderno e com mais energia.””
Ele complementou:
““O problema não é a idade de Lula, é que as ideias dele estão desatualizadas.””
O Financial Times observa que a ascensão de Flávio indica um novo embate polarizado entre direita e esquerda no Brasil, com altos índices de rejeição para ambos os candidatos. O senador tenta enfatizar sua reputação como o membro mais moderado da família, apresentando um tom menos abrasivo que o de seu pai. Sua plataforma é descrita como uma mistura de posições de extrema direita em questões sociais e de combate ao crime, com visões de centro-direita sobre a economia.
O jornal também menciona o discurso de Flávio na conferência de direita CPAC, onde criticou Lula por ser hostil aos EUA e favorável à China. Além disso, Flávio visitou El Salvador para observar a política de encarceramento em massa do presidente Nayib Bukele, que ele pretende reproduzir no Brasil.
Em relação ao seu plano econômico, o Financial Times destaca que Flávio deseja reduzir impostos e implementar privatizações, incluindo dos Correios. Ele afirma que cortes de gastos poderiam reduzir as taxas de juros, embora muitos no setor empresarial não estejam convencidos de sua capacidade de tomar decisões orçamentárias difíceis.
Por fim, a candidatura de Flávio ainda será testada quando a equipe de Lula começar a atacá-lo por seu histórico, que inclui um escândalo de supostos pagamentos irregulares durante seu tempo como deputado estadual no Rio, além de críticas por ligações com milícias. Flávio sempre negou as acusações. O jornal também recorda que ele desmaiou durante um debate ao vivo na TV em 2016.
““Quando ele começar a levar esses golpes do Lula, aí sim vamos descobrir se ele é um candidato de verdade ou não,””
afirmou Thiago Vidal, consultor político da Prospectiva, ouvido pela reportagem.

