Iranianos formaram correntes humanas ao redor de usinas de energia e outras infraestruturas estratégicas nesta terça-feira, 7 de abril de 2026, em meio à escalada de tensão com os Estados Unidos. A mobilização ocorreu a poucas horas do prazo estabelecido pelo presidente Donald Trump para que Teerã reabra o Estreito de Ormuz, sob risco de ataques diretos a instalações civis.
A iniciativa foi incentivada pelo governo iraniano. O vice-ministro de Esportes, Alireza Rahimi, convocou jovens, atletas, artistas e estudantes a se reunirem em torno de usinas em todo o país. Em mensagens divulgadas nas redes sociais e na TV estatal, ele classificou essas estruturas como “riqueza nacional” e pediu que a população ajudasse a protegê-las.
Na termelétrica de Kazeroon, na província de Fars, sudoeste do Irã, centenas de pessoas atenderam à convocação. Em vídeo divulgado pela agência iraniana Fars, por volta das 11h desta terça-feira, multidões apareceram concentradas na entrada do local, exibindo bandeiras e cartazes em apoio ao governo, antes de formarem uma corrente humana em torno da instalação.
O movimento rapidamente se espalhou pelo país. Na cidade de Ilam, no oeste do país, homens, mulheres e crianças se mobilizaram ao redor de usinas de energia, segurando bandeiras iranianas e cartazes com imagens de líderes nacionais. Registros também foram feitos em cidades como Kazerun e Tabriz, onde manifestantes se reuniram nas proximidades de instalações energéticas, formando barreiras simbólicas.
Em meio à mobilização, Donald Trump voltou a subir o tom. Em publicações nas redes nesta terça, afirmou que “uma civilização inteira morrerá esta noite” caso o Irã não cumpra as exigências. O presidente americano já havia dito que o país poderia ser “eliminado em uma única noite”, com ataques coordenados a pontes e usinas elétricas, e voltou a sugerir a possibilidade de mudanças políticas em Teerã.
ONGs como a Hrana e o Crescente Vermelho Iraniano afirmam que ataques a infraestrutura civil constituiriam crimes de guerra. Na noite de segunda-feira, o líder dos Estados Unidos já havia dito que não estava “nem um pouco” preocupado se suas ações no Irã configuram tais delitos. “Sabe o que é um crime de guerra? Ter uma arma nuclear”, declarou, referindo-se à suposta pretensão iraniana de fabricar uma bomba nuclear.
O ultimato de Washington gira em torno da reabertura do Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 20% do petróleo e gás consumidos no mundo. No fim de semana, Trump deu 48 horas para que o Irã recuasse do bloqueio — prazo que se encerra nesta terça-feira à noite, no horário de Brasília. Caso isso não ocorra, o presidente promete uma ofensiva capaz de comprometer a infraestrutura energética iraniana.
Segundo ele, usinas e pontes seriam atingidas de forma simultânea, com o objetivo de paralisar o funcionamento do país. Do lado iraniano, o discurso é de resistência. Mais cedo, o presidente Masoud Pezeshkian afirmou que milhões de cidadãos estão dispostos a defender o território. “Mais de 14 milhões de iranianos já declararam estar prontos para sacrificar suas vidas em defesa do Irã. Eu também estou disposto a isso”, escreveu.

