O percentual de famílias brasileiras endividadas alcançou 80,4% em março de 2026, o maior nível da série histórica da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
O dado foi divulgado nesta terça-feira (7) e representa um aumento de 0,2 ponto percentual em relação a fevereiro, quando 80,2% das famílias estavam endividadas. Comparado a março do ano anterior, quando a taxa era de 77,1%, houve um crescimento de 3,3 pontos percentuais.
A CNC alerta que esses números indicam um problema que deve ser tratado com urgência, especialmente devido aos efeitos do conflito no Oriente Médio e ao impacto da alta do petróleo sobre o consumidor.
“”O cenário já é reconhecido pelo governo federal como um problema que precisa de solução imediata, enquanto a CNC destaca que o endividamento continuará avançando até os efeitos da flexibilização da política monetária chegarem efetivamente ao consumidor final”,”
informou a entidade em nota.
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil (BC) reduziu a taxa básica de juros, a Selic, de 15% para 14,75% ao ano em março. Contudo, essa mudança leva mais de seis meses para ter impacto na economia.
A taxa de juros permanece elevada, o que encarece o crédito e pode aumentar o endividamento das famílias.
““A elevada taxa Selic é, há meses, um desafio para quem empreende e para quem consome”,”
afirmou José Roberto Tadros, presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac.
““A redução gradativa dos juros começou, mas ainda vemos um aumento do nível de famílias endividadas, pois levaremos meses até que o alívio do aperto monetário faça efeito”,”
completou.
A CNC também destacou que a alta dos preços do diesel e de outros combustíveis tem gerado incertezas sobre a inflação. O aumento nos custos de transporte eleva os preços, que são repassados pelas empresas. Isso resulta em uma redução do poder de compra e maior uso de crédito pelas famílias para despesas básicas.

