A guerra no Oriente Médio pode manter os juros elevados por mais tempo, afirmou Bruno Boetger, Vice-presidente do Bradesco, responsável pelo banco de atacado, em coletiva à imprensa nesta terça-feira, 7 de abril de 2026.
O banco revisou sua projeção para a Selic, que deve encerrar o ano em 12,5% ao ano, acima da estimativa anterior de 12%, devido ao início do conflito. Segundo Boetger, essa alteração no cenário tende a reduzir o volume de ofertas de ações na Bolsa, tanto primárias quanto secundárias.
Para 2026, Boetger estima cerca de 10 operações entre IPOs e follow-ons, com movimentação total de aproximadamente R$ 15 bilhões. “Essa estimativa já considera os impactos da guerra, que, se se estender além do esperado, deve manter a Selic em um nível elevado por mais tempo”, disse Boetger.
O executivo prevê ao menos um IPO neste ano entre as ofertas de ações estimadas, enquanto as outras nove operações devem ser follow-ons. O IPO marca a estreia de uma empresa na Bolsa, e o follow-on ocorre quando uma companhia já listada realiza uma nova oferta de ações.
De acordo com o Bradesco, tanto os IPOs quanto os follow-ons devem ser liderados por empresas de infraestrutura, especialmente dos setores de energia, saneamento, portos e rodovias.
Além de reduzir o apetite por ofertas de ações, a guerra no Oriente Médio também tende a prejudicar o ambiente para as empresas, segundo Boetger. Ele destacou que a inflação global provocada pelo conflito pode pressionar os custos operacionais e dificultar o alongamento das dívidas corporativas.
Boetger explicou que empresas que precisam refinanciar ou estender seus passivos acabam fazendo isso em condições mais caras, o que pressiona seus balanços e torna o mercado de crédito mais seletivo. “Isso machuca os balanços das empresas e tem deixado o mercado de renda fixa mais seletivo”, afirmou.
O executivo estima que as emissões de títulos de dívida em 2026 devem somar R$ 550 bilhões, uma queda de 25,7% em relação a 2025. “Os gestores estão mais seletivos e devem fazer caixa e aportar em títulos mais seguros, como Certificados de Depósitos Bancários (CDBs) de grandes bancos ou papéis do Tesouro”, concluiu Boetger.

